segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Post 10: Sobre Cabeça de Vento, Narradores e Homenagens

Mark Rufallo respira o ar do rio Pinheiros
(foto de Yoshino Kimura, a Mulher do Primeiro Homem Cego)

Parece uma maldição que me persegue. Perdi meu roteiro novamente. Digo novamente pois também perdi meu roteiro três semanas antes de acabar “Cidade de Deus” e o mesmo aconteceu com o roteiro do “Jardineiro Fiel”. Claro que eu poderia imprimir uma nova cópia, mas nem é o caso, de tanto lê-lo já decorei completamente a história. O que me faz falta não são os diálogos ou as descrições das cenas, mas sim as anotações e idéias que fui rabiscando nos cantos ou no verso das páginas desde dezembro do ano passado. As idéias que me pareceram boas eu até lembro, mas certamente vou esquecer detalhes que nunca chegarão a ser filmados. Merda. O pior é que eu tenho certeza de onde deixei. Estava na prateleira de livros no cenário da casa do Médico. Alguém tirou do cenário, provavelmente para não aparecer em quadro, enfiou numa caixa qualquer e eu nunca mais vou vê-lo, já sei. Agora tenho que terminar de rodar assim mesmo, às cegas. Já vi este filme.

O destino de um roteiro é sempre muito triste, esse que perdi levou 5 ou 6 anos para ser concluído e no dia seguinte em que acabarmos a filmagem, passaria a ser papel inútil. Pouquíssima gente vai se dar ao trabalho de ler aquelas páginas novamente. As cópias que tiverem sorte serão recicladas, a maioria vai para o lixo mesmo. É triste porque pouca gente se dá conta da complexidade e do número de questões que envolve a criação de um roteiro. Quer um exemplo?

Quem conta a história? Esta é em geral uma das primeiras decisões que um escritor tem que tomar. No cinema é a mesma coisa, a escolha de quem será o narrador transforma completamente um filme. Nos outros (poucos) filmes que fiz esta questão é facilmente respondida mas nessa Cegueira a coisa é mais complexa. Vou teorizar um pouco. Para quem não gosta de blá, blá, blá, até o próximo post.

No começo de “Blindness”, quem conta a história é o diretor (eu mesmo) com a ajuda da equipe, claro. Conto a história colocando a câmera, os microfones e com eles, o espectador, sempre no meio da ação. Por eu ser um narrador privilegiado, que já leu o roteiro até o final, você, o espectador, vai perceber que há uma epidemia se alastrando antes mesmo que os personagens se dêem conta disso, coitados. Como também sou um contador que está fora da trama, posso pular de um personagem para outro e acelerar os acontecimentos para chegar mais rápido ao segundo ato quando todo mundo vai para uma quarentena num asilo. (Sinto muito para quem não leu o livro e não sabe do que estou falando. Aliás, quem não leu deveria ler. É livro que se devora num final de semana). Voltando: Quando a ação se desloca da cidade para o asilo o contador da história deixa de ser o diretor e passa a ser a Mulher do Médico. É através do seu olhar que vemos o que acontece. Colada nela, a câmera fica trancada no asilo de quarentena também, vê ou sabe apenas o que a Mulher do Médico vê e sabe. Esse é o momento em que a trama desacelera um pouco para que o espectador embarque na viagem desta personagem vivendo junto sua experiência. Por sorte tenho a Julianne Moore a bordo e definitivamente ela sabe como fazer os espectadores compartilharem as experiências e emoções desta Mulher do Médico.

A história segue, a situação evolui devagar. Passado um pouco da metade do filme entra em cena um novo personagem, o Velho da Venda Preta (Danny Glover), para mim um alter-ego do Saramago, com o já disse aqui. De repente, sem mais, ele começa a narrar o que se passa no asilo. Diferente do olhar da Mulher do Médico, que nos mostra os fatos, a voz deste narrador tardio, o Velho da Venda Preta, nos conta o que se passa na cabeça dos personagens, conta uma história mais profunda narrando as implicações e conseqüências do que acontece, criando uma nova camada de leitura para o filme. Então, no terceiro ato, quando todos os personagens voltam para a cidade, os dois outros narradores, o diretor e a Mulher do Médico, se juntam ao Velho da Venda Preta e a história passa a ser narrada alternadamente pelo olhar dela, pela voz dele e pela câmera, que coloco onde bem entendo (ou onde o César sugere ou permite).

Esta mudança de narrador afeta a linguagem e estabelece o ritmo do filme. O primeiro ato é mais clássico, a história avança agilmente da maneira como acontece na maioria dos filmes. No segundo ato, o da observação da Mulher do Médico, o filme viaja mais, é menos objetivo e divaga como uma mulher. (Sim. As mulheres são melhores em divagações do que os homens) Finalmente, quando entra a narração do Velho da Venda Preta o filme volta a ter uma trama mais linear, mas somada a uma leitura do que se passa. Essas três maneiras de contar a história dão a cara ao filme e isso já estava indicado no roteiro. Ou seja, qualquer decisão do roteirista pode transformar o filme radicalmente não só em seu conteúdo, mas em seu formato. Há uma pequena guerra nos EUA no momento, entre os roteiristas e os estúdios. Eles querem ser reconhecidos como autores dos filmes no mesmo patamar que os diretores com cachês e prestígio igual. Acho mais do que justa esta reivindicação. Só porque o que escrevem vai para o lixo no final da filmagem não quer dizer que seu trabalho não tenha a mesma, ou às vezes maior, importância do que o trabalho do diretor.

Muitas vezes quando penso num roteiro, fico quebrando a cabeça para tentar achar uma trama que nunca pare de se desenrolar, (essa é a primeira lição que se aprende em cursos de roteiro, se uma cena não transforma a história ela está sobrando e deve ser cortada). Com esse filme aprendi que às vezes não é preciso fazer a trama andar, o simples deslocamento do ponto de vista, a troca de narrador, gera um enorme movimento mesmo que a ação pare. Isso era apenas uma idéia teórica que agora confirmei na prática. E parece funcionar. Aliás, não é nenhuma novidade a troca de narrador num filme. Muitos filmes são apoiados nesta idéia, uma mesma história vista por diferentes ópticas. Minha bíblia do roteiro, que é “Goodfellas” (os “Bons Companheiros”), escrito pelo mesmo autor do livro, Nicholas Pileggi, faz isso muito bem. Quem conta a história da Máfia no filme é o Henry Hill, (personagem do Ray Liotta) mas de uma hora para outra, sem aviso, sua mulher, Karen (Lorraine Bracco) passa a narrar. O Bráulio Mantovani e eu até tentamos fazer o mesmo em “Cidade de Deus”, mas como aquela história já era muito confusa resolvemos deixar apenas um narrador, o Buscapé. Só não copiamos “Goodfellas” por que não deu certo.

Os bons filmes estão aí para serem copiados, ou “homenageados”. Não são poucas as “homenagens” que presto.

(E se alguém encontrar um fichário de capa de plástico azul com um roteiro todo rabiscado dentro, já sabe. É meu. Façam a gentileza de devolver ou me informar através de um comentário neste blog, que tenho lido regularmente).

153 comentários:

Tanaka disse...

A dança de narradores é muito natural mesmo, lendo seu texto me questiono se não é assim que a "realidade" é construida...com os olhos do consciente, os valores do superego, as emoções do inconsciente...

Eliezer Silveira Filho disse...

Fernando, estou adorando ler a forma que você está transpondo esse maravilhoso filme. Só consegui ir no penultimo dia aqui em são paulo que você estava filmando (na faria lima), não sei se você se lembra (quase impossivel) cheguei até a falar com você. E estou totalmente curioso para ver essa pelicula. Sem duvida você é um dos meus diretores favoritos, desde domésticas até o jardineiro, você consegue prender o expectador. Parabéns e que Blindness seja um grande sucesso.

Um forte abraço,

Eli

Batman Lusitano disse...

Quem encontrar o tal "fichário de capa de plástico azul com um roteiro todo rabiscado dentro" me mande um mail que eu tô pagando o dobro, heheheh... Desculpe Fernando ;-)

Lunna disse...

ai que ódio, perder o roteiro! preciosa pasta azulzinha, jogada por aí!!
e a mudança de narradores é sempre maravilhosa de se ver. afinal, existe coisa melhor do que ver uma história a partir de diversas visões?
estou adorando ler seus relatos, e fico cada vez mais curiosa para ver o resultado final! muita boa sorte pra ti!
beijo!

SandraM disse...

Fernando,

li seu outro blog - d'O Jardineiro Fiel e ler agora este blog está sendo como reencontrar um velho conhecido. É outro filme, mas o mesmo cara sensível que vem me emocionando a cada filme e agora à cada blog ...
Se eu encontrasse seu roteiro, iria até aí devolvê-lo. Mas antes tiraria um xerox prá mim rsrs.

Ale Rampazo disse...

Bem, se aconteceu e mesma coisa com os roteiros de Cidade de Deus e Jardineiro, parece que você está no caminho certo pra que Blindness tenha o mesmo sucesso de ambos.

Talitha disse...

Perder, pode ser uma nova maneira de se encontrar...

Renato disse...

o roteiro estava em braile?

hehehehe

Qual a previsão de lançamento do filme?

Clara Gomes disse...

Fernando!
Que achado esse seu blog. Eu estava procurando informações sobre o livro, pra escrever uma peça com um personagem cego - e caí aqui.
Bacana você dividir com o público um 'making of' tão sincero e com possibilidade de troca e aprendizado.
(Vou ler tudo, já que comecei pelo fim).
Abração!

brenno disse...

Fernando, para quem é estudante de cinema, como eu, esse blog é uma escola. Muito bom e muito obrigado também, pois outro dia você filmou aqui do lado da FAAP, dando a oportunidade para nós vermos uma parte das filmagens e também porque eu consegui ter uma pequena participação no seu filme, como figurante. =)

brenno

!André! disse...

"Em busca do roteiro perdido"

Acho que vou criar uma história sobre a busca do seu roteiro. Quem sabe um dia não vira filme, haha.
Mas se achar, vai ser um dilema: devolver ou guardar a reliquia?!
Tá bom, tá bom. Eu tiro uma cópia e te devolvo, haha.

Abraços e parabéns novamente!

Marcella disse...

Como você disse no seu primeiro post: deve ser sina! Mais uma "coincidência" com seus outros sucessos! Só pode ser sinal de coisa boa! Bjos grandes, Marcella.

MG disse...

É a primeira vez que acompanho o destrinchamento de um filme antes mesmo dele ficar pronto...
Teu blog é uma benção fernando!
PS: Na semanana passada entrevistei o Daniel Rezende para um programa de TV e vi algo parecido com o seu roteiro na mesa dele...hum...suspeito...heheheh... Abraço!

Saulgarber disse...

Bah... meu amigo...!
Se eu encontrar esse roteiro... promete que em lugar de ir pro lixo apos o final do filme você me devolve?
He he

Felipe Jovani disse...

Fernando, participei das gravações do blindness, na figuração. Vi pouco da sua "atuação" como diretor, tinha que me concentrar na cena...Admiro há muito tempo o seu trabalho, cinema é a minha paixão. Fico surpreso em observar como você consegue transformar num texto de fácil comprensão todos aqueles detalhes de direção.
Parabéns.

Felipe

Priscila disse...

A cada post seu, segue uma viagem sem fim na minha cabeça, sou fã do Saramago e apaixonada pelo cinema. Já li por diversas vezes este livro, e sempre imaginei como poderia ser um filme dele, e ai esta vc, quase um Deus do cinema,transformando a ficção na mais pura realidade....
Na sua linguagem simples e complexa,tudo se revela, juro que quando crescer quero ser igual a vc (rs)
Bjs da sua fã de carteirinha
Priscila Iogolia

SB disse...

Eu imagino a sua aflição. Imagino que nem tanto pelo roteiro em si, mas nestes tais rabiscos que fala, é como se o mesmo concentrasse toda a energia do processo de construção da obra. Ai que dor horrível, eu imagino que deva ser o mesmo que estar, sem querer estar, pelado perambulando pela rua.

Porque ao invés de fazer você fazer anotações pelos cantos das folhas, não começa a desenhar as suas idéias? Assim jamais vai correr o risco que se transformem em um simples amontoado de papel sem nenhum sentido e passível de serem jogados em caixas. Ainda mais, se for um bloco de papel com gramatura mais densa, desses difíceis de dobrar ou amassar, e assim poderá encarregar alguém da sua assistência (que é o que não falta) para sempre estar atento em guardar esses “rabiscos do pensamento” a cada dia, pois, muitas vezes pelo menos para você possam valer mais do que o filme já concluído.

Pessoalmente não gosto desta figura de linguagem: alguém Alter Ego de alguém, me da um bode tremendo, e me lembra um antes amigo dizendo isto quase sempre prestes a um ataque de loucura sarcástica.

Eu já estou com dúvidas se termino ou não de ler o livro, estou querendo deixar para ver o fim no filme.

abçs,

Sonia Bacha - SB

Patty Diphusa disse...

A primeira aula de roteiro ninguém esquece. Tenho certeza que terá grande valia quando eu decidir, finalmente, fazer um curso de roteiro. Mas, ao mesmo tempo, fico me imaginando no lugar desse roteirista, não sei se teria essa audácia de alternar o narrador tantas vezes em um filme tão delicado. Provavelmente eu seria mais conservadora e chegaria até a Mulher do Médico e depois voltaria para o diretor. Mas ficaria muito pobre, vc teria apenas o efeito de tudo aquilo sobre a cabeça dessa Mulher, e não se aprofundaria nos outros personagens, não? Ou poderia reforçar ainda mais os diálogos, para que cada um se apresentasse, ou se delatasse, de alguma forma. Mas isso deve ter riscos muito sérios, imagino. Um deles de ficar cansativo ou de dispersar idéias sem aprofundar em nada. Olha, vou prestar atenção em todos os detalhes do filme para entender melhor o que vc está dizendo. Esse blog fica ativo depois do lançamento, para que possamos voltar e compartilhar o que cada um achou depois de assistí-lo?

nn disse...

Olha, num vi não, mas adoro todo este blá blá blá!

Gosto muito de ler este blog, tenho admirado muito tua inteligência, ponto de vista e sensibilidade. Porém, acho que essa leitura pode me trazer alguns problemas... É que eu imagino que quando for ver Blindness enxergarei vários "filminhos" no mesmo filme. Ficarei pensando que na cena da chuva em Montevidéu os atores estavam com muito frio e você queria tê-la filmado mais vezes; que a idéia do esmalte foi dada por Gael quando, vendado, andava no set e pisou num pote com o produto; que os atores japoneses namoram na vida real e improvisaram em suas cenas colocando no enredo suas próprias histórias; que na cena do estupro foi usada a quarta tomada da Julianne Moore e a oitava do Mark... e assim por diante...

Será que isso vai me atrapalhar mesmo, hein?
Apesar de acreditar nesta possibilidade não tem um dia que não veja se o blog tem um novo post!

Abraço!!!

Joel disse...

Olha, num vi não, mas adoro todo este blá blá blá!

Gosto muito de ler este blog, tenho admirado muito tua inteligência, ponto de vista e sensibilidade. Porém, acho que essa leitura pode me trazer alguns problemas... É que eu imagino que quando for ver Blindness enxergarei vários "filminhos" no mesmo filme. Ficarei pensando que na cena da chuva em Montevidéu os atores estavam com muito frio e você queria tê-la filmado mais vezes; que a idéia do esmalte foi dada por Gael quando, vendado, andava no set e pisou num pote com o produto; que os atores japoneses namoram na vida real e improvisaram em suas cenas colocando no enredo suas próprias histórias; que na cena do estupro foi usada a quarta tomada da Julianne Moore e a oitava do Mark... e assim por diante...

Será que isso vai me atrapalhar mesmo, hein?
Apesar de acreditar nesta possibilidade não tem um dia que não veja se o blog tem um novo post!

Abraço!!!

.:.: Ellen :.:. disse...

Estava eu ja deitada em minha cama, com os seus 2 últimos posts impressos, prontinha pra lêr e dormir quando terminei a frase que dizia "E se alguém encontrar um fichário de capa de plástico azul..." olhei pro lado, vi algo parecido com isso. Será q seu roteiro veio dar uma voltinha no sul de Minas? Levantei, abri... mas não... os únicos rabiscos que tinham la eram ideias de fotos pra eu tirar amanhã. =(
Mesmo assim resolvi levantar, ligar o micro novamente e vir te avisar que seu roteiro não passou por essas bandas e caso passe eu o mando direto pra casa junto com um pão de queijo se quiser! =)
Adoro seu blog e li que você fez um em O Jardineiro Fiel! Ele ainda está no ar?? Gostaria mto de ler, pois adorei o filme! Parabéns atrasado! hehe

Jan disse...

Fernando,

Fantástica essa troca de pontos de vista no filme (para variar me deixou ainda mais interessado na obra cada vez mais fico mais ansioso...).

É difícil para eu pensar que alguém na constção de um filme tenha mais importância que o diretor, o grande artesão a quem cabe orquestrar toda uma explosão de estímulos sensórios que é o cinema, no máximo (e com certa dúvida) consigo pensar que todos têm igual importância (não me lembro de ter visto filmes com roteiros ruins ou diretores ruins com grande êxito estético, contudo, já vi alguns filmes nos quais grandes roteiristas/ diretores conseguiram extrair grandes atuações de canastrões).

No mais, acho que toda grande obra merece ser referenciada/ homenageada/ copiada, ou seja lá como for que queiram alcunhar, isto não é demérito algum, até porque cada nova obra trará (apesar das referências) um contexto (inclusive em relação ao momento histórico)novo, novas cabeças e idéias...

Um grande abraço e boa sorte


Jan Lopes

Eu penso que... disse...

Fernando,
Ao contrário do que você pensa, seu roteiro não viraria lixo, não...
Pelo menos nas mãos dos seus fãs, que não são poucos, viraria objeto de cobiça.
Se já aconteceu antes (perder o roteiro nos outros filmes) garanto que você não devia se lastimar. É um sinal de que "às cegas" voce dirige melhor.
Pense nisso e uma boa semana de filmagens.
Abraços
Andrea Drewanz

André disse...

eu leio!
é só mandar um doc, pdf, txt, rtf... para deltaleite@hotmail.com
valeu!
andré

Douglas Dickel disse...

Concordo com a Talitha. 'Cidade de Deus' e 'O jardineiro fiel' teriam sido melhores se o roteiro não tivesse sido perdido? Tenho um amigo que reflete sobre fazer cinema, e ele tem uma teoria de que o obstáculo é que tem trazido as maiores obras. Bem, o Andrei Tarkovski teve que fazer 'Stalker' todo de novo, com menos dinheiro, e saiu o que eu saiu. 'Blindness' não tem como não dar certo. Saramago, Meirelles, vários países, perda de roteiro... ;]

Taciana disse...

Sendo apaixonada por livros, morro de medo de ver filmes de adaptação - geralmente acabo decepcionada. 'Ensaio' é um livro maravilhoso, emocionante, sensível, inesquecível, mas realmente, só pelo seu blog, já dá para virar fã do filme também.
Parabéns!

Eric Arantes Corrêa disse...

Caro Fernando, tal como Nietzsche ponderou, é o perspectivismo da vida. É a perigosa, mágica e retórica parcialidade que constrói e desconstrói um universo. Quanto sangue, quanta intolerância, e, simultaneamente, quanta beleza há na hetererogeneidade do viés. Que se puxe eternamente o fio de Ariadne! Avante ao porto sem fim! Deixemos o homem ser tragado pelo indefinido e múltiplo canal da percepção, pois é também o que nos redime a condição de Homens.
"A cegueira voluntária é frequentemente salutar. Ou queres ver apenas o que o espelho mostra"?
Abraço e sucesso na sua edificação!

klaic disse...

Na questão da narrativa, faltou apenas o ponto de vista de uma personagem: o cão das lágrimas. Me parece que esse cão, no livro, tem papel preponderante. Saramago descreve suas ações de forma a torná-lo mais do que um mero cachorro, mas sim uma constante lembrança de que até os animais que agem por instinto, podem ser mais "humanos" que os próprios "humanos". 2 ou 3 cenas do ponto de vista do cão seriam o suficiente pra dar essa impressão que eu tive e que acho, foi a intenção do Saramago. Eu acho.

Marcia disse...

Fernando...

Há uma semana de começarmos a filmar, com 50 pessoas chegando todos os dias na nossa locação, com toda a correria...TENHO que ler seu blog...é um aprendizado...uma aula de um professor "invisível". MUST READ! Narradores são sempre importantes e quando nos dão visões diferentes da mesma história é ainda melhor!!!

Boa sorte na sua saga...estou acompanhando daqui do outro lado do mundo!

Abraços.

Caio disse...

Fernando,
Gostei bastante de sua escolha para o papel do primeiro cego. O Yusuke Iseya é um ótimo ator! E por coincidência, vi um filme com ele ontem, chamado Memories of Matsuko. Vale muito a pena!

Kelly Camilo disse...

Nao sei porque mas toda vez que leio voce referir-se aos personagens que perdem a visao como "Primeiro Homem Cego", me lembro de "Fallen Leaves", obra de arte que tem no Museu Judeu em Berlin (tem uma foto no meu blog).
Os rostos, a inexistencia, a forma como a inabilidade de ver reduz algumas dessas pessoas a um nada, a bando de rostos que fazem barulhos e andam e caem e vivem mas que nao sao. eu tenho um tio cego e ele deixou de ser, ele so existe agora, ele simplesmente se recusa a continuar a viver como ele era, he's a "Fallen leaf".

estou com muita vontade de ver o resultado final, leio o blog com medo de ser um spoiler, mas eu nao consigo evitar. :D


comprei o livro, mas como ta en ingles eu nao queria ler. viu ver se alguem me manda do Brasil.

um beijo
Kelly.

Phillipe Oak disse...

Fernando,

às vezes acordo no meio da noite para anotar duas singelas palavras. E sei que sem essas duas palavras um pensamento todo vai para o espaço! Tô aqui entre os rabiscos do "Phillipe Oak e o Feitiço do Tempo", e, vez ou outra entro para ler o seu blog e me identificar com suas idéias. Uma delícia! Adoro esse confessionário colocado aqui.
Um pensamento me ocorreu: será que essa cegueira está contaminando o pessoal da produção!? Minha avó diria: peça para São Longuinho e quando encontrar dê três pulinhos!!!
abraço,
Ana Paula Hook

LBL disse...

Fantástico...
Eu como um mero cineasta amador wannabe estou desenvolvendo um roteiro que brinca justamente com essa troca de narradores, onde ela ocorre de maneira constante, de modo que nunca sabemos ao certo em que ponto da história essa troca ocorre, bem como se o que o narrador está contando é fato real ou história inventada por eles, pq se trata de um julgamento com os flashbacks se misturando...é interessante e divertido brincar com isso.
=)

Show de bola seu blog...fantástico poder acompanhar o cotidiano das filmagens de um grande filme!!

Sucesso!!

J.Neto disse...

e ai fernando, tudo bem?

tenho aguardado ansioso por blindness, e fiquei feliz de saber que você vai trabalhar com a julianne moore (ela, além de ser ótima atriz, parece ser muito boa de se trabalhar). não diria que sou seu fã, mas admiro demais seu trabalho. cidade de deus foi um marco pro cinema brasileiro, e o jardineiro fiel foi uma vitório nossa lá fora. domésticas também é muito bom.

espero que você seja também muito bem sucedido com este filme, estou aqui torcendo por ti. um abraço
joão

Jane Malaquias disse...

Fernando, um roteiro não vai para a lata de lixo quando a filmagem termina e sim para a lata de negativo (ou fita) como o trabalho de todo mundo. É uma afirmação perversa porque afirma algo que o roteiro não é: literatura, embora possa ser publicado etc.
O roteirista é o primeiro DIRETOR do filme, além de criador. É em torno do trabalho dele que toda a produção se organiza.São "ordens" escritas assim como as suas são faladas.
Aproveito para mandar um abraço pro César, e outro para vc.

Navasquez disse...

Recado De Saramago a todos que passaram pelos sets de Blindness:

"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara..."

Reparem no fichário azul ...

Tomara que não tenha mesmo ido para o lixo...
Certamente isso não vai te impedir, mas talvez te complicar...
Enfim, boa sorte...
A foto do Mark Ruffalo está ótima..
Fico pensando nas coitadinhas das capivaras que moravam naquelas margens... não tem projeto pomar que dê jeito...
Cotia logo logo também não terá mais um rio, um córrego limpo...se continuar no ritmo de avanço imobiliário em que se encontra...


Sorte prá nós, e muito trabalho pela frente.. que bom!!

Tomara que se lembre de algumas anotações, que devem ser a coisa mais preciosa naquele roteiro que você perdeu....

E você não vai aparecer na Mostra???

Um grande abraço

Olympia Navasques

Navasquez disse...

Recado De Saramago a todos que passaram pelos sets de Blindness:

"Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara..."

Reparem no fichário azul ...

Tomara que não tenha mesmo ido para o lixo...
Certamente isso não vai te impedir, mas talvez te complicar...
Enfim, boa sorte...
A foto do Mark Ruffalo está ótima..
Fico pensando nas coitadinhas das capivaras que moravam naquelas margens... não tem projeto pomar que dê jeito...
Cotia logo logo também não terá mais um rio, um córrego limpo...se continuar no ritmo de avanço imobiliário em que se encontra...


Sorte prá nós, e muito trabalho pela frente.. que bom!!

Tomara que se lembre de algumas anotações, que devem ser a coisa mais preciosa naquele roteiro que você perdeu....

E você não vai aparecer na Mostra???

Um grande abraço

Stonewall disse...

Poxa, queria muito encontrar o seu roteiro! eu poderia tirar uma fotocópia pra mim?! hihihi

tiago

anyone but me disse...

Antes mesmo de ficar pronto, este filme já é o meu favorito. "Ensaio Sobre a Cegueira" é um dos meus livros favoritos. Saramago é um dos meus autores favoritos. Você é um dos meus diretores favoritos. E que outra oportunidade eu terei de ir ao cinema e ver o resultado final de uma obra da qual "participei" de tão perto, durante sua produção?

Obrigada pelo blog!

murillo disse...

Acho que com o livro - um dos melhores que já li na vida -, juntamente com a leitura deste Blog, estou criando uma espectavia mto grande em torno do filme. Geralmente isso é o típico caso de que o filme - apesar de às vezes ser mto bom - não correspondem às espectativas. Espero que isso não aconteça com esse. Espero que este filme não estrague a linda imaginação que tenho do livro.

Eu Sou Eu e Não Você disse...

Bom demais esse post!! obrigada! estou esperando o próximo.

Angela
Fpolis/SC

h. Cassiano Riva disse...

Fernando, finalmente tenho a honra de participar desse blog. Todos os dias ansio por novas palavras, novos detalhes, caminhos na fascinante escuridão de Saramago.

Como acompanho sua carreira desde sempre, meu sonho era ver seu filme logo, antes de todos... senti-lo na cegueira.

Aliás, cá entre nós, não havia atriz melhor do que Julianne Moore para tal papel. Em "As Horas" e "Magnólia" ela transpassa uma melancolia no olhar que poucos atores conseguem.

Um momento de ira é mais fácil de ser interpretado do que interpretar a ausência, a melancolia, o tédio. Parabéns!

Quanto ao roteiro: se eu achasse jamais devolveria. Como gosto de escrever trata-se, pois, de uma obra-de-arte (ops!), com "Ó" maiúsculo: Obra-de-arte.

Museu do Cinema disse...

Seus posts são verdadeiras aulas de cinema!

Essa coisa da narração do filme é mesmo primordial, e Os Bons Companheiros faz isso com maestria, diria que Cassino tb, alias do mesmo autor.

Monica Tárraga disse...

Também quero ler o blog do Jardineiro Fiel!
Deve ser ótimo, após ter assistido ao filme, no mínimo diferente!

Que privilégio estar com vocês no set. E dentro da cabeça do diretor....

Espatódea disse...

Daria meus olhos, minha alma para encontrar esse fichario de capa de plástico azul... com certeza através dele sentiria a atmosfera desse set, o cheiro desse cenário, a voz... o breu e aclaridade. Aliás, já o encontrei em sonhos anteriormente...

Demithri disse...

o texto hoje vem ganhando espaço em inúmeras formas de interpretar a realidade, nas ciências em geral, a noção de "realidade como texto", logo, passível de interpretação múltipla, possibilita pensar um mundo não só de verdades, mas de possibilidades (probabilidades, nas ciências naturais). Acho que o Ensaio sobre a Cegueira é esse texto que lemos as cegas, onde tudo tem mais textura e deslocamento do que lugares e direções bem definidas, o escapismo pela falta de visão se encontra com a proposta de "ler" mesmo sem ver, a realidade como texto.

recogra disse...

se eu achar o roteiro prometo que te empresto, pq dps vou ter o orgulho de guarda-lo.

GRANDE ABRAÇO.

Lívia disse...

Estou adorando o blog, tenho lido regularmente. Todo dia entro pra ver se tem post novo, hehe... Mas falando nessa coisa de mudança de narrador, lembrei muito do livro "Reparação", do Ian McEwan, cuja adaptação para o cinema eu assisti ontem, na Mostra. Claro que o livro mostra com muito mais clareza as mudanças de narrador, mas mesmo assim gostei muito da dinâmica do filme... Tenho assistido várias adaptações de livros para o cinema, e estou ansiosa para ver Blindness. Aliás, ainda na Mostra, devo ver 6a feira "O amor nos tempos do cólera"... Depois conto aqui como foi!

Km 15 disse...

ô Meirelles [heheh] se for pra jogar algo fora, pódeixar que eu guardo procê.

franlucas.cisco@gmail.com

não ganhamos nenhuma licitação mas nos encarregaremos por guardar o materia de blindness.

Agora sério.

Sou fã teu cara desde os programas da cultura, fico preocupado quando vejo meus amigos estudantes de cinema esnobando todo mundo. Precisamos dar uns conselhos pra eles. Alguma dica?

Espero que seu filme [seriado malhação on]bombe nas paradas[/seriado malhação off]

abraços.

Ah, e se sobrar algo da produção, entre em contato que guardarei com carinho.

Mauro disse...

Galera,
Para abrir o blog do Fernando Meirelles sobre Jardineiro Fiel é só clicar aí no link. Eu acompanhei desde o início e realmente é imperdível.

Fernando, arrume um tempinho e publique ele novamente pois está escondido numa versão antiga do Cinema em Cena e você não pode deixar assim um obra sua!

É a primeira vez que escrevo aqui então aproveito para dar os parabéns pela iniciativa de fazer um (outro) blog pois isto aproxima ainda mais seus fãs de você.

Confesso que quase apanhei por falar que Cidade de Deus é mais filme que Tropa de Elite.

Abraços

Mauro

Gleydson disse...

Eita por**!!! Essa foi braba, hein Fernando... Sei bem como são essas "preciosas" anotações: só a gente consegue ler o que 'tá escrito, pra que serve e porque foi escrito. Fora do contexto daquela página específica o valor é zero mesmo! Que pena!!! Aposto que já passou a mão em outro roteiro e os rabiscos continuam, com uma pontinha de frustração, mas estão lá. Rerererererere...

Se alguém achou o roteiro, provavelmente vai tentar transformá-lo em uma relíquia logo após o sucesso do filme.

Eu não achei a pasta azul, mas se achasse eu devolveria, pode ficar sossegado.

Abraço e 2 posts em uma semana é bom demais pra ser verdade!

Gabriel disse...

Fernando eu encontrei!

Notícia alarmante, está sendo vendido por toda parte!

Como o nome de Ensaio Sobre a Cegueira.

De um tal José Saramago...

Paulo disse...

Fernando,

Acabei de ler o ensaio sobre a cegueira e pensei, tenho que fazer um roteiro sobre o filme, logo descobri que você estava envolvido e apesar de eu não fazer mais um roteiro, fiquei feliz que você esteja desenvolvendo o filme, é uma pena que tenha perdido as suas anotações, eu gostaria de ler o roteiro, tem como eu conseguir?

pauloviolence@yahoo.com.br

boa sorte no resto das filmagens,

Paulo Oliveira

Patty Diphusa disse...

Kelly Camilo, vc tem toda razão em relação ao quadro. Eu não me lembrava o nome desse quadro, eu o achei meio estranho e sombrio quando o vi. Agora revi a foto no seu blog. Sabe uma coisa que não sai da minha cabeça quando leio os textos do Fernando? Sigur Rós, a música Svefn-g-englar, que tem uns 9 minutos. O vídeo dessa música é deslumbrante, emocionante. Eu postei no meu blog, se quiser ver.

Fer disse...

Sao Longuinho, Sao Longuinho...

Tati disse...

Fernando, pode deixar que já estou fazendo a lição de casa (sim, estou lendo o livro do Saramago), mas ainda não deu para dar conta dele todo em um final de semana (não durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo), nem quando preciso preparar uma monografia sobre um diretor de cinema. Ah, sim, já que você costuma ler esses comentários, como faço para entrar em contato com você para que eu possa te enviar algumas perguntas a fim de contribuir para a minha tal monografia? :-)

walber disse...

meu Deus

sempre sonhei em trabalhar atras das cameras... e sempre tive pessoas como ideais em meus sonhos. dai aparece vc. estraga toda minha consolaçao de nao estar onde queria...talvez por ser brasileiro... talvez por ter tomado outro rumo. hehehe
aguardo este filme mais que tudo. uma porque vivi em portugal, li la o saramago, vi-o em lisboa e pude ouvi-lo. outra porque cidade de deus è a obra prima que me enche de orgulho por varios motivos. adorei o jardineiro fiel. mas ler vc narrando a july no corredor. meu deus... eu nao me canso de ver the hours e o filme comentado onde o diretor fala dela ao sair de casa chorando e virar sorrindo em que ele diz "so ela pode fazer isso", faz de mim quase que morrer de ansiedade pela chegada do filme. que seja em veneza (to aqui, vivo aqui) que seja em cannes (to pertinho) berlin (um pulo) se for em casa to em casa. onde for.. quero ver...ate na terrinha. mas que seja mais uma obra prima como foi seus ultimos dois filmes. filmar o branco...a cegueira nao deve ser facil. mas naquele momento sobra os sentimentos das pessoas, e acabamos por ve-los enquanto lemos, e por isso, nao è trabalho pra quem me fez chorar diante do ambiente e do olhar de Ralph Fiennes. obrigado por ser o que eu queria ser, e por ir alem... quem sabe um dia posso estar junto...
e que venha blidness

walber disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel disse...

Fernando, deixe-me dizer-lhe que como português e ávido leitor do meu compatriota Saramago, estou bastante curioso com o resultado final de todas estas tribulações.

Quando li o "Ensaio..." pela primeira vez, e apesar de estar longe de ser um novato nas leituras de Saramago, algo em mim cedeu... a cada página a respiração tornava-se mais ofegante... e aquela sensação de 'estar lá, bem no meio de tudo' aumentava.

Espero que consiga passar isso para a película... algo extremamente difícil!

Boa sorte

Luis Miguel Latas

www . livredoponto . wordpress. com

lilith disse...

A pouco tempo, se não me engano, Coppola teve todo seu arquivo de roteiros roubados. Será que temos um ladrão cinéfilo à solta? Rs.
Parabéns mais uma vez pelo filme mais esperado do ano.
Flávia

Teas disse...

Eu gosto tanto desse livro, que morro de medo do que você vai fazer com ele...
não por duvidar da sua competêcia (sou fã tanto de Cidade de Deus como de Jardineiro Fiel), mas esse livro pra mim é... bom, acho você compartilha o mesmo amor que sinto por ele.
È que eu simplesmente não consigo imaginar como transpor toda a genialidade, sutileza, e sarcasmo do mestre Saramargo em um filme...
Realmente, se o trabalho for bem sucedido, meritos para o roteirista assim como para o diretor!

29 anos disse...

Assim tá muito bom Fernando - mas não vale mandar um post junto do outro e depois desaparecer muito tempo! Mais fotos! Mais fotos! Parabéns e Obrigado por este filme, por este blog... E mais! Acredito que nessa sua cabeça devem surgir dez mil idéias ao mesmo tempo, portanto, não fico preocupado com aquelas que se foram na pasta azul! Fala da música, fala da Alice Braga... Fala, Fala tudo... Já escrevi antes aqui que esta cegueira branca e este blog estão me deixando maluco - um dia desses me peguei andando de olhos fechados pelo apartamento - quase perdi o dedão do pé direito contra o pé da mesa! Mais uma vez Parabéns e Boa Sorte! Quando tiver tempo leia os meus blá, blá, blá...http://eunaoexisto.blog.terra.com.br

Welington@hotmail.com disse...

Pelo jeito isso dá sorte. Esqueça o roteiro, era pra ser assim. Vai uma sugestão de próximo filme: Grande Sertão: Veredas. Vc nasceu pra fazer esse filme de Guimarães Rosa, é a pessoa perfeita. Bráulio Mantovani o roteirista. Só não consigo indicar os atores. Acho que teria que ser iniciantes.

Welington@hotmail.com disse...

Fernando, vc é a pessoa perfeita pra dirigir Grande Serão: Veredas.

Israel disse...

Se voce conseguir fazer um bom filme voce vai achar o seu roteiro em um site qualquer de leilão e ele vai valer milhões.

Se voce me permite eu gostaria de te dar uma dica: compre um dictafone e perca dois a tres segundo lendo suas notas para ele, funciona como um backup, ou sauvegarde, como dizem os franceses.

Fernanda disse...

aula de cinema... muito bom!!!
Da muita vontade de participar, de fazer... muito, muito ótimo tudo isto... Parabéns!!!

Eduardo disse...

Fernando, o seu roteiro eu não sei onde foi parar, mas o do Don McKellar (o roteirista, para quem não sabe) está comigo (!!!), assinado por ele na capa, com dedicatória e tudo, e não vai para o lixo nunca, de maneira nenhuma! É uma das recordações que eu vou levar comigo para sempre, dessa experiência incrível que foi a filmagem do Blindness. Agora é esperar o filme ficar pronto, ou mesmo o seu próximo post. Obrigado por tudo, desde os seus filmes, até aquele sorriso que vc não tira no rosto durante o set todo, e que ao meu ver faz uma diferença brutal no clima do set, e até mesmo no resultado final do filme! Abração!

Alípio França disse...

Assim que este filme foi anunciado, criei coragem e li o livro. Amei a maneira como a história é contada e tem sido emocionante acompanhar o blog.

Desde já, acho que o post 9 (sobre os japoneses) é um dos melhores até agora e que capta bem a essência do filme.

Marcelo Garcia disse...

Sensibilizado com o caso da pasta azul, criei uma comunidade no Orkut com o objetivo de localizar a pasta em questão hahaha... aos fãs desse blog, do Fernando e do Blindness, essa é uma boa pra gente. Ha, Fernando, legal saber que você nos lê, parabéns... denovo.
Acessem: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40828646

Taciana disse...

nossa achei muito bacana esse blog do filme que estou aguardando para ver
quase chorei de tristeza de não ter ido a são paulo ver um pouquinho das gravações uma chance unica...
espero que outras oportunidades como essa surjam...vou começar a fazer faculdade de cinema ano que vem e seria uma experiencia maravilhosa ver tudo tão de perto...
agora acompanharei sempre o blog
um abraço
Taciana

Marcio Panosso disse...

Lembro de estar no carro com o Dionísio Neto no dia do meu aniversário (10 de novembro) do ano passado e ele comentando comigo sobre o próximo trabalho do Fernando Meirelles e tal. Agora to lendo tudo o que você tá escrevendo sobre todo esse maravihoso processo.
Ja faz quase 1 ano que estou aqui na espera pra ver o que tudo isso vai virar e cada dia fico mais eufórico pra ver esse filme....

Nem pude ver nada das filmagens que aconteceram perto de onde morava em São Paulo ja que o trabalho acabou me trazendo pro Tocantins, mas lendo parece que estou ali acompanhando tudo de pertinho...
Agora é esperar mais um ano pra ver tudo isso na telona.... Mais sei que essa espera vai valer a pena...

Tati Valiengo disse...

Fernando,

Em primeiro lugar parabéns pelo blog, todo dia abro ansiosamente para ver se há algum post novo.
Sobre a sua pasta azul, se ela já foi perdida nos outros 2 filmes, por favor... NAO ACHE!!!
Seus filmes devem precisar desse momento, como disseram em algum post acima "Perder, pode ser uma nova maneira de se encontrar..."
E já pensou na idéia de transformar esse blog num livro?
Parabéns pelo trabalho! Beijo

Thaise de Moraes disse...

Se eu o encontrasse, antes faria uma cópia. Mas acredito que não seja muito possível, devido a distância.
Li a respeito desses duelos entre narradores e diretores essa semana. Concordo que ambos devessem ter seus nomes mais explicitados, porém discordo que um deva ter o nome maior que outro. Até porque um filme não é feito só de roteiro, ou só de direção de atores, direção, fotografia. É um conjunto que nos permite conhecer belas obras cinematográficas. Afinal, o que seria de Blindness, se um dia o diretor não houvesse lido esse livro.
Continuo dizendo que as tuas descrições estão me fazendo sonhar com a conclusão desse filme. E o que me deixa mais triste, é que sei que ainda vai demorar muito a estrear aqui no Brasil.
Boa sorte,
Bjos
Thaise de Moraes

Rogério Saliba disse...

Olá Fernando,

Como já disseram, também acho que perder faz parte ai do seu processo de criação cara, vai ver tem coisa que vc anotou lá que é melhor não fazer! hahaha
O que vc lembra, e a intuição, são o que vão contar no resultado final.
Não li o livro, não sei os detalhes do enredo mas pela sinopse parece ser adequados os diversos pontos de vista.
E GoodFellas é realmente um filmaço, dos meus preferidos, boa referência. Eu adoro referências nos filmes!
abs.

PS. Ver ai no inicio a foto do Rufallo na marginal me lembra que eu perdi as filmagens aqui em Sampa... Só fiquei sabendo depois... não vou me perdoar nunca!

kkilhian disse...

Cara...você é demais!

Marjorie disse...

Fernando, vc ñ sabe como seus posts auxiliam, nós q estudamos cinema!! No último posto vc só citou filmes fantásticos, realmente Goodfellas tem uma narrativa interessante, é um dos meus filmes preferidos.
Sobre o final para o dilema do casal eu achei lindo e tocante (mesmo que seja somente lendo) fiquei ainda mais aguçada para ver o longa, principalmente porque acompanhei todas as filmagens em SP e muitas cenas que eu vi são incrivelmente tocantes e poéticas, mesmo fora do contexto, imagine então dentro do filme!!

E o que vc disse sobre o roteiro é muito verdade, por que só nos vêm idéias clichês na cabeça?? Enfim, acho q de tanto clichê que vemos hoje em dia já vem um link na nossa cabeça rsrs.

Boa sorte com o filme, q eu tenho certeza q vai arrasar!! OBS- Se eu achar o roteiro eu vo ler antes tá?? haha depois te devolvo! haha.

Ana disse...

Fernando,

se você me tivesse por perto, jamais perderia nada: sou "a controladora" (modéstia às favas).
Abraço

Ana Lanzoni

Isadora Marinho disse...

Tava com saudades, Fernando!

Voltando à minha questao do filme não ser todo brasileiro (ai, que saco essa menina, hehe). AMEI saber que o primeiro homem cego e sua mulher são japoneses - e que inclusive falam japonês no filme - que o velho da venda preta é negro.

Aliás, espero que vc não interprete esse meu "ciúme nacional" de você e do Saramago. Que fique claro que eu tenho esse ciúme porque acredito que o filme vai ser BOMBÁSTICO! E gostaria de vê-lo carregando a bandeira do Brasil e da língua portuguesa, como foi com Cidade de Deus e Central do Brasil...

Mas agora que vi essa mistura proposital de povos nos personagens, percebo que meu julgamento é superficial (apesar de ser como eu me sinto). E vai contra o que o Saramago prega no livro. É uma história sobre seres humanos, uma epidemia de irracionalidade que atinge a todos, não importa cor, idade, sexo ou nacionalidade.

Quando li o livro, imaginava todos os personagens com cara de portugueses. No filme você vai poder enfatizar que o "papo é reto pra todo mundo" (hehe). Não tem nacionalidade ou língua oficial que impeça essa identificação e a consciência em turbilhões ao sair da sala do cinema.

Além disso, a equipe já é uma mistura não é? Charlone, você, americanos, uruguaios, Gael...

Muito bonito isso. Uma obra universal em sua essência. Feita por todos, para todos, em todos os lugares.

Esse filme carrega um toque a mais que os outros, Fernando. É a aura, a energia, pode ter certeza.

(Esse ano perdi o roteiro de um espetáculo teatral infantil que tava escrevendo. Como diz minha professora de teatro, Camilla Amado, citando Jorge Amado, seu tio: as idéias boas de verdade sempre voltam. E voltam melhores!)

Beijos e desculpa se eu escrevo muito :)

Santiago disse...

Fernando,
Acompanhar teu blog tem sido uma grande aula de cinema. Sobre homenagens, já fiz alguns curtas e o mais recente, olha só, é uma homenagem a você, ao Palace 2 e a tudo o que veio depois. Chama “Bem Vigiado”. Estou começando a inscrevê-lo nos festivais agora, mas queria muito te mandar um dvd. Ta rolando um trailer no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=QjjJ_QQogRY
Mesmo sem você saber quem é esse doido, você fez parte do filme dele (ihh, mudou o narrador). Ainda tinha muito pra tietar, mas meu curta já é, de certa forma, uma tietagem. Só queria te dizer que você provoca catarse nas pessoas, e esse é o melhor super-poder que alguém poderia desejar. Se tiver algum endereço pra onde eu possa te mandar o dvd, por favor me avise, meu e-mail é dellape8@hotmail.com
Parabéns por tudo! Abs
Santiago

papirosujo disse...

fernando, adoro ler esse seu blog ! muito mesmo !!!

um abraçao enorme

Carla Batista Stechini disse...

Fernando, gostei da idéia de ter vários narradores...mto conveniente para a história, estou muito anciosa para ver e resultado final! Esempre que posso entro no diário para ver se tem novidades....por favor escreva mais sempre que puder!!! BJOS

nuno disse...

Eu já falei para o Betinho que encontrei. Deixei com a Nádia. Pergunta pra ela.

Abraços

Tefa disse...

Estou ansiosa para assistir seu novo filme.
Quando li na página inicial do UOL "Fernando Meirelles perde roteiro original de 'Blindness'", cliquei estusiasmada. Sou admiradora do seu trabalho por um motivo muito peculiar, sou estudante de Direito e tive no ano passado um juri simulado sobre o filme "Cidade de Deus", onde a família de Zé Pequeno pedia indenização ao Estado pela marginalização e toda aquela coisa sociológica. Eu fui procuradora e utilizei milhões de argumentos para o Estado não pagar tal indenização. Mas a outra parte foi esperta, usou imagens de seu filme, na parte onde mostra toda a miséria da Cidade de Deus para justificar a entrada de Zé Pequeno no crime. Achei que estava perdido, achei que os jurados já tinham formado opiniões contra o Estado. Mas meu grupo foi mais esperto ainda, usou aquela tão famosa cena em que Zé Pequeno diz "Quer tiro no pé ou na mão?" e 600 expectadores odiaram Zé Pequeno naquele instante.
Com a vitória percebi como as imagens falam, e como você sabe fazer um filme bom para os olhos! Meus parabéns, sou sua fã!

Carlos Escritor disse...

Lendo uma espécie de biolgrafia do
Fernado Meirelles, fico satisfeito em ter enviado dois livros meus.
Acho que pelo pick do Fernando um
dia vai solicitar reoteiro de um de meus livros e fazer um filme.
Os romances "Manezinho: Crime e Mistérios (crimes e ijustiças sociais, pois Manezinho foi lincahdo) e "A Deusa Nua" com a loira Sheila Mello na capa, fala da liderança de uma jovem linda, atraente, sedutora e inteligente liderando a tranformação da Guerrilha do Araguaia em Guerrilha
Urbana (inédito) e o atentado ao
presidente eleito, na busca pela implantação socialista no pais.
Só espero o Fernando ler meu romances ....Carlos

Márcio Hachmann disse...

Perdendo, de repente se encontra. ;) Boa sorte!

Carlos Escritor disse...

Se alguém Se interessar pelos meus romances:
Manezinho: Crimes e Mistérios
"A Deusa Nua"
Liguem para Vitória Livros, fone:
19.3672.5063, Isto não é uma propaganda gratuíta, pois meus livros foram doados às entidades filantrópicas, como a Sheila Mello doou a capa de "A Deusa Nua".
filantrópica:carlosphg@uol.com.br

Robinson disse...

Fernando, não seja tão modesto! Você nem precisa do roteiro... Boa sorte na difícil missão de passar para o público a mensagem de José Saramago... Se, ao terminar a filmagem, alguém perguntar "porque as pessoas começaram a ficar cegas?" é porque não entenderam nada!!!!

ELIAS disse...

Fernando,

Acompanho seu trabalho com bastante apreciação. Sou um grande fã do filme Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel. Quando soube que você iria filmar Ensaio Sobre a Cegueira, sem saber do que se tratava corri e comprei o livro. Na ocasião eu tinha viajado para Portugal e pude comprar o livro escrito no original. Para mim você honra o cinema nacional como Airton Sena fazia em suas corridas. Sou um tipo de fã seu. Inclusive tenho uma foto junto contigo, ela foi tirada quando você foi dar uma palestra na faculdade de arquitetura lá no centro de São Paulo (entrei de bicão). Gostaria muito de um dia estar presente no set de filmagem...iria ficar em silencio somente assistindo o seu trabalho...Um grande Abraço Elias Sena

fwaiteman disse...

Fernando

dirigir "as cegas" o blindness, é história do filme no caminho do mito.

Matheus disse...

Fernando,

Eu venho lendo seu blog desde o comeco. Acho incrivel o desenrolar de um filme, e ainda por cima vc conta muito bem a estoria.
Estou no eua fazendo um de ingles, e a unica leitura em portugues que me permito e o seu blog.

Desejo a vc muito sucesso nesse filme. Qdo li o livro, que por sinal e um dos melhores que ja li e re-li, imaginava um filme, mas o cuidado e a direcao q vc da ao filme, me parece extraordinaria.

Abcs

gibeeck disse...

tive uma ideia, fernando. por que não oferece um brinde à sua produção a quem achar seu roteiro? provavelmente alguem pegou "emprestado" pra vender no ebay! :D
que tal um oculos? para enxergarem melhor...

Mel disse...

Não se preocupe! A perda do roteiro só vai deixar o resultado ainda melhor. Confiamos em você, Fernando!

Otavio disse...

Ao pensar em algo perdido lembro do agente 86 e suas tentativas para reencontrá-las, terminando por perder uma segunda coisa.

Como você, o Smart também era fantástico, hehe! mas as semelhanças, para a sorte de todos, acabam por aí.

Tenho certeza de que seu trabalho vai continuar a ser cada vez melhor a cada filme e só posso torcer para logo poder assistir "Blindness" e cada um que vier depois dele. Quem sabe até a gente não possa logo testemunhar você superando até mesmo o Cidade de Deus?

Gostaria de ler o diário do Jardineiro. Gostaria de "entender" melhor como foram os bastidores do filme.

Um grande abraço, Otavio.

renato disse...

Olá Fernando, como todos aqui sempre admirei o seu trabalho. Cidade de Deus foi genial, mas tinha uma curiosidade especial sobre O Jardineiro Fiel. Afinal, trabalho para a Oxfam e a história do mestre Le Carré era particularmente interessante para mim. Foi outro trabalho genial. Agora, com Blindness, tenho certeza de que voce e sua equipe vao se superar. Coloquei uma nota la no meu blog, o tordesilhas.net, chamando os meus visitantes para conheceram o seu blog.
Um grande abraco!
Renato Guimaraes

Juliana Borre disse...

Qual você acha, Fernando, que é o segredo para mudar o narrador sem que o filme quebre o ritmo a ponto de perder a dinâmica? Ou você acha que é essa desconstrução da dinâmica que torna a mudança de narradores interessante?

Torço para que, caso seu roteiro não seja encontrado, outras tantas boas idéias brotem de sua brilhante mente!

Isa disse...

Esse Fernando é um sarro mesmo.

Mas tenho que ser sincera: tomara que você não encontre o roteiro, pois o sucesso dos outros filmes não dependeram da morte do roteito original, e tão pouco este dependerá.

Um grande abraço e muita sorte,
Isabela, sua fan.

Renata disse...

Este é o meu diretor! Avoado como sempre.... O único que me faz capaz de depois de 15 anos de jornalismo diário e muito sério, andar falando de abobrinhas, pepinos, couve-flor e talo de brócolis... rsrsrs...encarando as lentes 35 publicitárias. Sabe que nem doeu? Saudades de vc Fernado! do Mix, de gente com cabeça boa que anda difícil encontrar nos institucionais da vida. Me manda um contato pra eu te achar? Beijos saudosos...
Renata

Juliana Borre disse...

Ah, mais uma coisa: fiquei deveras feliz ao saber que VOCÊ está filmando "O ensaio sobre a cegueira", que está entre os meus três livros preferidos. Uma história maravilhosa, que resgata uma grande reflexão sobre a humanidade e filmada por você? Combinação perfeita! Melhor que queijo minas com doce de leite... (risos)

Obrigada por compartilhar suas experiências conosco. É uma excelente oportunidade de aprender mais e mais sobre o processo criativo de um diretor.

blug disse...

você é um queridão mesmo! beijo de uma fã (sua e de saramago) q vai reler ensaio sobre a cegueira, q adorei, antes de ver o filme. abração e boa sorte com o reencontro do roteiro.

Adriana Ávila disse...

Oi Fernando,

Li o livro há algum tempo, em um final de semana como você disse, mas fiquei um pouco desapontada com o final. Talvez sob a sua persperctiva, a sensação seja melhor... Mas não é por isso que resolvi comentar, é para te dizer - talvez você já saiba, que o U2 tem uma música que se chama "love is blindness" que tem a ver com o livro. Quem sabe se vocês não poderiam usá-la no filme? Bjos, aguardo ansiosa pra ver o filme!!!

Adriana

Fernando Borges de Moraes disse...

Se serve de consolo, às vezes é saudável esquecer, evitando assim a maldição que acomete o "Funes" de Borges.

Lufcs disse...

Fernando, no próximo filme deixe alguém pra ficar 24 horas do seu lado, só cuidando do roteiro. Vai ter fila!

Rafael disse...

51% roteiro, 49% direção!

anaparreira disse...

Oi Fernando
Tudo bem? Quem sabe você me dá uma idéia do que fazer com algo que eu aprontei aqui... há uns 3 anos, sei lá, eu li Ensaio Sobre a Cegueira, não entendi nada, ou melhor, fiquei tão perplexa que resolvi fazer o caminho AO CONTRÁRIO, daí peguei o livro e o reescrevi de trás para a diante (da última linha do livro para a primeira, que ficou a última). E também inverti a história e a chamei de Ensaio Sobre a Vidência, peguei até o endereço do Saramago para enviar para ele nas Canárias, pois nem sei como eu chamaria isso, é um DESLIVRO, eu acho, mas é a partir do livro dele, e nunca mostrei a ninguém.
Meu email é anaparreira@uol.com.br, se tiver alguma idéia do que fazer com o deslivro, por favor fale comigo, estou em Campinas e sou escritora (não de deslivros)...
sucesso no teu filme, quero vê-lo.
Quem sabe você não faz o filme ao contrário também?
bj
Ana Parreira

anaparreira disse...

Oi Fernando
Tudo bem? Quem sabe você me dá uma idéia do que fazer com algo que eu aprontei aqui... há uns 3 anos, sei lá, eu li Ensaio Sobre a Cegueira, não entendi nada, ou melhor, fiquei tão perplexa que resolvi fazer o caminho AO CONTRÁRIO, daí peguei o livro e o reescrevi de trás para a diante (da última linha do livro para a primeira, que ficou a última). E também inverti a história e a chamei de Ensaio Sobre a Vidência, peguei até o endereço do Saramago para enviar para ele nas Canárias, pois nem sei como eu chamaria isso, é um DESLIVRO, eu acho, mas é a partir do livro dele, e nunca mostrei a ninguém.
Meu email é anaparreira@uol.com.br, se tiver alguma idéia do que fazer com o deslivro, por favor fale comigo, estou em Campinas e sou escritora (não de deslivros)...
sucesso no teu filme, quero vê-lo.
Quem sabe você não faz o filme ao contrário também?
bj
Ana Parreira

anaparreira disse...

Oi Fernando
Tudo bem? Quem sabe você me dá uma idéia do que fazer com algo que eu aprontei aqui... há uns 3 anos, sei lá, eu li Ensaio Sobre a Cegueira, não entendi nada, ou melhor, fiquei tão perplexa que resolvi fazer o caminho AO CONTRÁRIO, daí peguei o livro e o reescrevi de trás para a diante (da última linha do livro para a primeira, que ficou a última). E também inverti a história e a chamei de Ensaio Sobre a Vidência, peguei até o endereço do Saramago para enviar para ele nas Canárias, pois nem sei como eu chamaria isso, é um DESLIVRO, eu acho, mas é a partir do livro dele, e nunca mostrei a ninguém.
Meu email é anaparreira@uol.com.br, se tiver alguma idéia do que fazer com o deslivro, por favor fale comigo, estou em Campinas e sou escritora (não de deslivros)...
sucesso no teu filme, quero vê-lo.
Quem sabe você não faz o filme ao contrário também?
bj
Ana Parreira

Entourage disse...

Porra Fernando,isso aqui vicia,cara!! Vlw!!

Viníccius disse...

Cassino é um exemplo até melhor q Goodfellas na mudança de narradores.

até pq a primeirameia-hora de filme é praticamente toda narrada, sempre mudando de personagens e tal...

Lucas disse...

Nossa, que blog sensacional...

Estou vendo que além de ótimo diretor você também é um excepcional escritor! :-)

A quantidade de informação que consigo absorver do seu texto é espantosa, tal que não consigo acreditar que estou fazendo isso por conta própria, e sim que você escreve de forma bem clara e objetiva, mesmo quando divaga em assuntos filosóficos. :-P

Não é necessário dizer que sou fã de Cidade de Deus (grande trabalho, além de certamente ter sido uma experiência de vida inigualável).

Fico divagando às vezes, imaginando como o processo de se criar um filme proporciona tantas experiências diferentes... Nós que assitimos não passamos por 5% dessa experiência, e fico muito feliz que você esteja tendo mais uma oportunidade de ter esse tipo de vivência com o Blindness :-)

Li seu outro blog sobre o jardineiro Fiel, e fiquei fascinado... Acredita que mesmo assim não assiti o filme até hoje?! Vou tratar de providenciar isso rapidinho :-P

E vou dar um jeito de ler o livro do "Ensaio..." também (estou precisando de ler mais... ehehehe)

Bom, estes foram meus 2 centavos, desejo muitas experiências novas nessa sua aventura (e que de preferência sejam todas boas! ^_^)

Felicidades,

Lucas

felipe disse...

Puxa Fernando,

Para de comer meu tempo assim!
Nao faco nada a nao ser ler este blog! hehehehe

Pois e cara, ali estou eu no mes de Julho nas minhas ferias de verao no Brasil (quer dizer, verao aqui onde eu moro, mas inverno na minha linda Bahia) e minha mae diz: "levanta menino! como e que a pessoa nao faz nada a nao ser ficar deitado!", eu com a minha marisia, preguica e minima tolerancia ja saiu logo na defensiva "poxa mae me deixa, to de ferias faco o que quiser!".

Dia seguinte vejo um livro na mesa, "Ensaio sobre a cegueira". "Aff, vou ler so essa primeira pagina, so para minha mae pensar que eu estou pelo menos tentando", sendo uma pessoa nao viciado em literatura, e que ate diria muito preguicoso pra ler, li o livro em.....2 dias!!!!

Quando soube que voce estava dirigindo o filme quase enlouqueco, teve um dia que eu e minha mae ate escolhemos os atores hehe.

Pois e, desde que tenho meus 14 anos adimiro seu trabalho, agora com 16 acho que todos os meus amigos aqui da Inglaterra ja assitiram Cidade De Deus, O Jardineiro Fiel e As Domesticas hehe, sempre dizem "Po cara que saco, nao somos Brasileiros, nos nao assitimos esses filmes" e depois do filmes e sempre a mesma coisa "Cara valeu, tu acha cada filme viu!" (esse claro nao foi o caso com Jardineiro Fiel, eles assistiram por conta propria)

So isso.....eu acho. Cara acho que escrevi quase mil paginas ai. Foi mal. Me empolguei!

(Po cara foi mal, nao da pra escrever com acentos nesse teclado XD)

Kika disse...

Fernando,
Tenho que confessar que tenho dúvidas se devolveria o roteiro rs....

Abraço,
Cris

Rosalia Fraga disse...

Professor Fernando Meirelles,
você não tem idéia de como estes diários de produção que você escreve são facinantes. Os mínimos detalhes que nos deixam tão próximos desta extraordinária tarefa de transportar para nossa mente histórias e estórias que jamais tomariamos conhecimento senão pelas suas habilidades.
Não preciso dizer o quanto admiro seu trabalho, espero que mantenha este hábito de continuar nos brindando com estas informações tão intimas da produção, que se tornam uma parte do filme e que também nos emocionam.

Sucesso!


Rosalia Fraga

paola disse...

É engraçado, até agora podia-se conhecer uma história, lendo o livro, vendo o filme, lendo depois do filme, lendo antes do filme, e depois ficar uma eternidade dizendo que o filme é muito pior, que não deu para entender nada, etcetera e tal, mas com Cidade de Deus(o filme) foi possível ler o livro, que é mesmo muito enrolado. Mas agora há uma coisa muito boa que é o Blog do filme, que estou adorando, todos já sabem, que choro cada vez que leio, todos já sabem, que fiquei surpresa com o primeiro cego ser japones e o velho da venda preta, negro, nenhuma novidade.
Estou adorando poder construir o meu filme, quer dizer que vai ser um Ensaio como se fosse "Um retrato de um certo oriente" do Milton Hatoun!
Isso é genial! Com certeza mais genial ainda é o próprio diretor instigar a leitura do livro antes do lançamento do filme, isso é o máximo.
Como pode, tanta emoção! Emoçao mesmo seria encontrar esse roteiro! eu devolvia, mas antes eu leria e com certeza, choraria, muito!

|erasmoalcantara| disse...

Terceiro roteiro perdido? Já vale a pena contratar um assistente guarda-roteiros. Sou candidato!

rvc disse...

Caro Fernando
Como português e admirador da obra de Saramago e do Fernando espero ansiosamente a sua adaptação do "ensaio da cegueira". Em relação às suas reflexões sobre a escrita de guiões concordo e gostaria de acrescentar algo que, sendo eu um guionista amador, vale o que vale, ou seja, muito pouco. No pouco que escrevi cheguei à conclusão que por vezes não é necessário que a acção avançe mas que a cena venho acrescentar informações ou sobre algo na narrativa ou sobre os personagens. Se isso for feito de maneira a não enfadar o espectador e se for bem feito a narrativa pode não progredir mas podemos manter o espectador agarrado à cadeira. É só uma opinião. Abraços e felicidades com o guião perdido e o filme.

Alexandre disse...

Até o momento minhas visitas a esse blog eram baseadas na ansiedade de ver o trabalho pronto, como amante de cinema e dos trabalhos de Fernando Meirelles e Julianne Moore.
Isso se devia ao fato de até o momento nao ter lido a obra do Saramago, fato que estou remediando agora... Acabo de comprar o livro e só estou esperando a entrega.
Mergulhando de cabeça no mundo de Blindness

Olivia disse...

Olá! desde o primeiro post seu aqui, tenho acompanhando todos! realmente, estou super ansiosa pela estréia deste filme, que com certeza será um estrondo de sucesso. Amo o livro, e sei que o filme estará à altura.
Boa sorte!

ps. quando eu fui renovar meu visto para os EUA, vc estava lá com um rapaz q acho q era seu filho. Apesar de ser uma fãnzaça sua,não me declarei hahah. Deveria ter dado um oi e te parabenizado pelo seu trabalho.

V disse...

Fala Fernando!
Kra, acompanhei todo o diário que vc escreveu sobre o Jardineiro lá no CinemaEmCena...Hoje voltei lá...Estava relendo o primeiro post e me deparei com essa:

"Há também a chance de alguém se interessar por conhecer o processo da realização de um filme do início ao fim, sob a perspectiva do diretor."

hehehe....quase 120 comentários nesse blog...Vc duvida que alguém se interessa????

Abração e manda logo o próximo post!

Josy disse...

Pede pra São Longuinho. Ele sempre acha...rsss

Josy disse...

APROVEITA QUE COMEÇOU POSTAR FOTOS E BOTA UMA DO CÃO DAS LAGRIMAS... TO DOIDA DE CURIOSIDADE PRA VER O BICHINHO... DISSERAM QUE É FEIO QUE DÓI...UM FIOTINHO DE CRUZ CREDO!

paola disse...

Minha filha disse que deve estar na gaveta do banheiro, para ela não falha, está sempre lá!
Eu já tenho outra opinião, Mnemosine - A memória personificada, filha de Urano (o Céu) e de Gaia (a Terra), e as Musas - suas nove filhas com Zeus. Além de inspirar os poetas e os literatos em geral, os músicos e os dançarinos e mais tarde os astrônomos e os filósofos,*tambeem dão um jeito de fazer com que as idéias deles fluam sem os obstáculos das anotações....pedem a ajuda do Saci e somem com que pode prejudicar o fluxo da criação!
Esta noite pensei bem, se eu encontrasse esse roteiro, eu te emprestava!
*(Kury, Mário da Gama. (1990). Dicionário de Mitologia Grega e Romana. Jorge Zahar Editor Ltda. Rio de Janeiro, RJ. pp. 405.)

Maurílio Martins disse...

Fernando, lendo seus textos desse blog e comparando com os da produção de "O Jardineiro Fiel", chego a conclusão: acho que está na hora de você começar a pensar na idéia de escrever um livro.
É fantástico como seus relatos se parecem com os do Sidney Lumet, no brilhante livro escrito pelo diretor americano, também relatando suas produções. E confesso, como estudante de Cinema aprendi imensamente com o livro e creio que essas iniciativas, além de nos colocarem mais próximos desse universo, servem como base de trabalho.
Você tem uma facilidade muito grande com as palavras e consegue expressar seu talento de maneira precisa, elegante e atraente. Seria, além do prazer pessoal que é escrever um livro, mais uma das suas contribuições com essa retomada do cinema nacional. Pense com carinho no tema. Aguardaremos ansiosos.

Abraços

Daniell disse...

Será que esse roteiro desaparecido não vai pintar no ebay rapidinho não?

Leandro disse...

Fernando, li aí em cima que você manteve um blog como este para o Jardineiro Fiel. Ele ainda existe? Se existir, qual é o endereço? Fiquei curioso.

Valeu, um abraço.

ph disse...

Concordo com amigo ..Batman,esse Fichario ..eu tambem quero..!

Fernando ..eu adoro Quentin Tarantino ..!

voce gosta..??O que acha?

Nós disse...

Fernando e NN,

NN, tens razão, quando estivermos vendo o filme teremos esses lampejos de detalhes que lemos aqui no blog.
Não acho que inerferira de fato. Vamos vier essa experiência.

Fernando, voce consegue dormir tendo perdido o roteiro cheio de anotações???

nycboy23 disse...

OI! Vc ja tem previsao da estreia deste filme? Admiro mto seu trabalho.

Renato disse...

A sinceridade com que vc escreve,torna ler esse blog uma experiência deliciosa.Parabéns!!!

Fernanda disse...

Ontem peguei o livro pra ler na faculdade... incrível... muito bom já estou na metade, não consigo parar de imaginar cada cena... ouço até as vozes dos atores... estou muito ansiosa pra ver o filme!!! Parabéns.

Julio disse...

Vou ter que escrever tudo de novo, ouve um pequen problema e o meu comentario original foi todo apagado, sem problemas, vou resumi-lo em pontos:
1- Parabens, a criação de um enredo deve ser exitante e sufocante ao mesmo tempo.
2- Vê-los criar vida esbanjando cores, sons e movimentos acho eu que é ótimo.
3- Sucesso com o filme, tu mereces [muita gente merece, é o talento e a oportunidade que faz a diferença].
4- Quando vens a Porto Alegre, nem que seja de visita ao Festival de Gramado? Assim a gente te vê.
5- O que achas de fazer um filme com personagens gauchos, mas uma história de caráter universal, é claro, senão vai parecer muito regionalista. Assim a gente te vê trabalhando.
6- Abraço
7- Julio Dominguez.
8- Sou teu fan.

Ricardo disse...

São 8h48min, manhã de domingo e acabei de ler seu texto.

É incrível a capacidade de absorvermos informações em horários dos
mais estranhos, normalmente essa hora estou dormindo mas...

Faço um curso que se chama Audiovisual no SENAC, e uma de minhas matérias preferidas é roteiro. Digo isso porque sempre
achei que um filme só existe por que algo foi criado e essa criação se
deve ao roteiro. Eu tenho uma grande dificuldade em entender o processo de criação e as formas de narrativa
e linguagens usadas em criações audiovisuais, eu fui músico, fiz
faculdade de música, meu processo de criação é muito mais etéreo,
trabalhar com a música exige uma desassociação do mundo material e uma
capacidade de imaginar o que não se pode ver, mas sim sentir. Quando
passei a estudar roteiro, percebi que nossa capacidade de criação
visual e tridimensional é utilizada ao extremo, é claro que eu consigo
criar assim, afinal a nossa imaginação é essencialmente visual, em
nossa infância lúdica, crescemos imaginando visualmente coisas, isso
já faz parte de qualquer um, a problemática se faz na hora de você
ordenar esse processo imaginativo e fazer com que caiba dentro de uma
linguaguem (no caso audiovisual) a qual estamos estudando.

Sua descrição do Fernando Meirelles só comprovou esse pensamento, mas
reafirmou de uma forma tal que praticamente validou aquilo que
existira em dúvidas na minha mente. Nós temos uma cultura literária, a
linguagem do cinema é imagética, isso faz total diferença, até hoje ouço dúvidas de quem é o narrador de uma história que se
passa num filme, a primeira coisa que vem à cabeça é: "Deve ser a voz
em off!" ou "Já sei, é o mocinho". Mas a narrativa se descola desses
preceitos e ganha liberdade para passear pelas diversas formas de
expressões cinematográficas (Off, diálogo, trilha sonora, sequência de
imagens, objetos em quadro, etc...), são tantas as opções que se
pudermos nos "descolar de preconceitos escolásticos" poderemos ver o
filme de outra forma. Cabe ao roteirista utilizar-se dessas
ferramentas e transformá-las em arte, de forma que o espectador se
delicie em ver uma história não só linearmente, mas através da
simbologia que essa arte proporciona.

Poderemos ver o mundo de outra forma.


Abraços

Vargas

Thiago Cambuí disse...

Oi Fernando!
Situação engraçada essa não? Uma sina, de fato!
Que dicas você pode dar para alguém que está começando a estudar cinema para ser roteirista um dia, além de claro, tomar cuidado para não perder o roteiro, rs =P

Reinaldo disse...

Fernando, torço muito pelo sucesso deste filme. Você tem muito talento. Já li o livro e sempre achei que a adpatação para o cinema não seria fácil. Assim como acho difícil também a adaptação cinematográfica de "Cem anos de Solidão". Acredito mesmo que você consiga.
Cidade de Deus", na minha opinião é o melhor filme brasileiro produzido até hoje. Interessante também o seu comentário a respeito de "Os bons companheiros", que considero um dos melhores da história do cinema. Sucesso.

ROBNEY BRUNO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ROBNEY BRUNO disse...

Como ja disse uma vez, acredito que o Fernando nunca vai ler uma linha desses comentários. Mas por via das dúvidas, se ele ler, aqui vai uma idéia: Que tal deixar o público cego por uns cinco minutos durante o filme. Tela preta. Somente o áudio rolando. Pode ser lá pelo meio do filme, quando menos se espera. Já vi isto em alguns filmes, mas nunca tão apropriado para o tema deste. Se é um filme sobre a cegueira, nada mais natural do que deixar o púbico cego. Já sei, alguém va me dizer que isto é mais um clichê, quer ver?
Robney Bruno

Saulgarber disse...

Envenenar o leite pode que seja o hediondo do hediondo do hediondo...
Um crime muito pior que os cometidos por um Calheiros, por um Papagaio, por qualquer traficante.

Um querido amigo, o Henrique Schucman fez a melhor descrição de como formamos uma imagem da realidade através da imprensa, que eu já escutei. Ele, entre outras coisas, é tapeceiro. Vai juntando fibras, fios, linhas... e quando está pronto para começar uma nova obra vai escolhendo esse fio, dessa cor, esse outro com aquela textura e eles vão compondo a nova tapeçaria... mas outros fios, outras fibras, continuam guardados para outra obra, para outro momento. Os serviços de informação, a Imprensa como um todo (a Globo, Reuters, etc.) fazem a mesma coisa... hoje é o dia de destapar esse poço, esse esgoto, esse ralo... e a notícia é divulgada nos diversos canais (jornais impressos, TV, internet).

E nós só veremos o que eles quiserem nos mostrar, e só saberemos o que eles querem que a gente saiba, e formaremos um painel da realidade tal como eles querem que seja. Somos uns cegos que enxergam, como no livro de Saramago "Ensaio sobre a cegueira"
E agora... onde está o BOPE dos empresários assassinos que adulteram o leite, dos fazendeiros que enterram o "corpo do delito" perto do rio que alimenta a cidade? Cadé a Tropa de Elite entrando a tiros nas mansões?
Na China esses calhordas já estariam mortos com um tiro na cabeça após um julgamento sumário.
Nós, aqui, vamos ao supermercado e compramos nosso leitinho Longa Vida, tranquilos, sem nem lembrar das notícias...e voltamos para casa a seguir nossa vidinha de deficientes emocionais, incapaces de nos rebelarmos.
Que faremos quando nos dermos conta da nossa cegueira.

stella disse...

É mesmo,.....muito obrigado pela sinceridade em compartilhar a intimidade da sua criaçao.
Da para entender um pouco mais sobre a linda pessoa que seus amigos do trabalho e da sua vida falam sobre voce.
Um dia espero tambem poder ter a sorte de estar mais proximo.

Bjos.
Estou torcendo muito pelo filme.

dinharocha disse...

Grande aula de roteiro! A transição de um narrador pro outro que deve ser complicada...
Boa sorte pra achá-lo...

Notas para mim mesma assim que acabar a monografia:
a)Não adiar mais a leitura de Ensaio sobre a Cegueira.
b)Procurar antigo cadernno de anotações

Luiz Alberto disse...

Perder idéia é a pior coisa do mundo. E perder roteiro é a segunda pior coisa que pode acontecer com um roteirista. A pior é ver o roteiro leiloado no Japão anos depois. Olho neles, Fernando.
Quanto ao descarte do roteiro, nunca entendi porque a venda de roteiros não emplacou no mundo, se o mercado de cinefilia é tão cativo e volumoso em demanda, ainda que reduzido em número de consumidores.

Cris disse...

ver mark rufallo nesta foto junto ao Pinheiros é quas surreal, esse ator tão talentoso e apaixonante, você trouxe pra essa nossa cidade louca São Paulo, com certeza esse filme vai ficar lindo, agora quanto à perda do roteiro, eita que parece até que proposital, porque de repnte ficar preso às primeira leituras, nos impessa de ver outras e tantas leituras....

markmarch81 disse...

Ñ achei seu roteiro ñ Fernando rs, adorei essa postagem sobre roteiros acho muito legal esse trabalho de construir um filme por meio da escrita.
Abraço.
Marcio.

Fernanda disse...

Ai que delícia acompanhar esse bog... Fernando vc é simplesmnete brilhante!!!!

Daniela disse...

Fernando, acabei de ler todo o conteúdo deste blog e confesso que minha ansiedade aumentou.
Li Ensaio sobre a Cegueira durante a faculdade. Lembro-me de que parei várias vezes a leitura, angustiada com a forma como tudo era retratado. Mas gostei do livro e posso dizer que é um dos meus preferidos.
Fiquei extasiada com O Jardineiro Fiel e espero que Blindness traga-me a mesma sensação.
Parabéns pela "coincidência", tenho certeza de que o roteiro foi oferecido a você porque não poderia ser de outra forma, não poderia ser de outro alguém.

Abraços,
Daniela.

Juliana disse...

Tive acesso a um roteiro do filme, xeroquei e guardei como uma das coisas mais preciosas em que coloquei minhas mãos.

Jaíza disse...

Fernando,
No seu caso, acho que o melhor será contratar alguém para tomar conta dos seus roteiros.
:-) Tenho certeza que aparecerão vários voluntários para a tarefa.

Tiago disse...

Fernando, achei! Me manda um e-mail tvazmail@gmail.com! Ah fala sério, é um ótimo pretexto pra encontrar um ídolo! Parabéns pelo blog (que só parei pra ler depois de ter visto o filme), pelo filme (que já vi duas vezes), e pela pessoa que é (sua simpatia é invejável).

Forte abraço

squeff disse...

O “Ensaio sobre a Cegueira”
e o que a crítica não quis ver
– Enio Squeff –

Deve ser por uma espécie de obliteração visual – ou intelectual - quem sabe, que a crítica brasileira não se rendeu ao filme “Ensaio sobre a Cegueira”, do brasileiro Fernando Meirelles, baseado no romance homônimo do português José Saramago. O maestro Wilhelm Furtawaengler , na década de 30 do século XX, afirmava que a crítica nunca ia além do público, por ser em grande parte apenas e tão somente parte dele, ou mais que tudo, o seu espelho. Com efeito, Franz Kafka, com seus “O Processo” e “Metamorfose” só foi reconhecido quando alguns intelectuais se deram conta de que havia tudo de surreal, de “kafkiano” digamos, na vida cotidiana das cidades com suas regras irracionais, o esmagamento da individualidade e a falta de sentido no que a sociedade contemporânea elevou como dogma. Para dizer o óbvio em se tratando também de Kafka: as baratas tontas não se sabem à disposição do pé que pode triturá-las. São poucos, enfim, os que prevêem em qualquer ensaio sobre a cegueira um dos grandes diagnósticos, ou antes, a metáfora que, afinal, tornaria transparente a nossa relação com o mundo aparentemente luminoso da informação, e que seria o melhor do nosso século. Não espanta que a cegueira intelectual tenha muitos adeptos, mesmo entre banqueiros, como se está vendo. E que qualquer reflexão a respeito cause um pânico que normalmente convida à rejeição da sua existência como uma ameaça constante a nossas convicções.
Cegueira ou escapismo? Em determinados momentos as coisas parecem se confundir.
Na pintura “A parábola dos Cegos”, de Pieter Brueghel, o Velho (1520/30-1569), a cegueira é um preâmbulo da queda, de qualquer queda. Concebida por um artista que sempre se valeu das alegrorias, o cego que conduz os outros(como a confirmar o Evangelho), é o primeiro da fila a se estatelar: uma viola caída entre as suas pernas, é o único testemunho, algo patético, da sua atividade de músico. Fica a certeza de que a acuidade que lhe resta é a auditiva– um indício de que, afinal, nem tudo está perdido. Não por acaso, é essa também uma das características do filme de Meirelles – a cegueira branca que acomete as pessoas ( “toda a cegueira é branca” dizia o cego Jorge Luiz Borges), passa a ser compensada, em parte, pelos sons: o ouvido como compensação à visão. Ao contrário, porém, da tradição que canta os poetas cegos – o primeiro deles, Homero, teria como apanágio da sua introspecção, justamente a cegueira – no filme de Meirelles uma das poucas alternativas à sobrevivência do cego, não é só falar – é escutar. A questão, contudo, pode se definir numa outra consideração -e que consta do livro de Saramago: cabe ao não cego, ao vidente no sentido inclusive do visionário, do utópico, do que prediz o futuro, conduzir ao ordenamento do mundo. E não por acaso, certamente, o “rei” da terra dos cegos – aquele que, no fim das contas, tem olhos para ver (ainda que possa ser “caolho”, como no ditado popular, o que não é o caso) - só persiste como tal, não apenas por ter olhos, por estar na pele de uma mulher. Claro que se trata da solução de um cineasta que se cingiu aos contornos do romance, a uma reflexão que foi fiel a Saramago. Tanto no filme, quanto no romance, a mulher aparece como única solução viável ao mundo do caos. Talvez seja essa a contrariedade que o filme suscita: supõe-se que à falta de um macho, o protótipo do xerife, do super-herói americano a dar “porradas” e, na outra ponta, a lavar as sujeiras fisiológicas dos homens – tarefa a que as mulheres se dedicam já no trato com os nenéns – muitos críticos, ao que parece, fizeram eco aos norte-americanos. Não gostaram e pronto. É compreensível.
Num país, ideologicamente convencido, como nos Estados Unidos, de que, no cinema para as massas, as mulheres devem se travestir, têm de assumir os punhos poderosos, os ponta-pés especializados nas lutas orientais e em lutas em que as espadas mortíferas são brandidas como as dos samurais – que são sempre as armas dos homens, dos mais fortes fisicamente – vale muito pouco que o mundo feminino seja, no fundo, o vencedor. Afirmar, por aí, que a crítica brasileira imitou os norte-americanos pura e simplesmente, talvez seja apenas uma ilação apressada. Os especialistas têm sempre as boas razões que escapam aos leigos. A cegueira, porém, como sugerem o filme e o livro, é uma doença que se dá numa grande cidade – justamente em São Paulo. E isso parece não ter sido igualmente relevado.
Talvez seja esse o outro lado da questão. As filmagens externas se passam todas numa paulicéia facilmente reconhecível, até mesmo por quem não mora na cidade. As próprias cenas em que os cegos são submetidos à quarentena – uma espécie de hospício - não sugerem menos do que o inferno do Carandiru. E como vivemos no contraste do Brasil, há também os grandes apartamentos, as casas confortáveis que dão para aquela paisagem exuberante, mais que prazerosa dos arvoredos da região dos Jardins, vistos do alto. E há, finalmente, muito também do seu oposto, daquilo que somos na periferia, o que sugere o “panorama visto da ponte”, para recorrer ao título da famosa peça de Arthur Miller. Entre a pujança do horizonte aprazível de São Paulo, ou a degradação do Tietê, com suas águas estagnadas e as margens infectas e que confluem com as ferrovias da periferia, há o lugar para algumas cenas dantescas, coisas de cenaristas. Como constatava Mozart com sua incrível invenção que, inclusive, lhe provocava lágrimas quando escutava suas próprias composições, para um paulistano, a metamorfose a que o filme submete a cidade de São Paulo, deve arrepiar no sentido contrário ao prazer do compositor com a sua música: resta a interrogação angustiante, isto é, se não podemos chegar às ruínas que o filme mostra. Neste ponto, talvez não seja arriscada levantar a hipótese de que foi esse o outro problema para a crítica: é preferível, naturalmente, considerar a Gotan City do filme Batman, julgada pela mesma crítica muito melhor do que o filme brasileiro ( pelo menos é o que dizem as estrelinhas das cotações dos jornais), à alternativa requerível à cidade “dos cegos”(São Paulo) idealizada pelo cineasta. E que nos assusta, exatamente por a reconhecermos, não na sua ruína construída, deformada, que só o cinema pode engendrar – mas na sua degradação possível, previsível que só o pessimismo leva em conta.
Ao término da leitura de um de seus romances, Dostoievsky teve de acariciar as mãos de sua companheira, a guiza de consolo; ao lê-lo, ela mergulhou numa tal tristeza que foi difícil demovê-la de que o mundo, quem sabe, pudesse talvez ser menos trágico do que as invenções de um escritor. Quando escreveu algumas de suas sonatas, Beethoven não previu que certas pessoas iriam se desmanchar no choro: disse que compunha não para que as pessoas se derramassem em lágrimas, mas para que refletissem. Estima-se que nunca foi a intenção de José Saramago, ou de Fernando Meirelles sugerirem menos do que uma parábola. Nenhum dos dois deve ter se demorado na perspectiva que preside a idéia primitiva de que a cegueira pode ser, por exemplo, o tal atributo dos poetas. Homero cego, certamente justificava os seus poemas como conseqüência dos que se vêem mergulhados em sua própria interioridade. Inimaginável esse tipo de consideração nem em Saramago, muito menos em Brueghel, ou no cineasta brasileiro. Vem daí, porém, que a cegueira, como perda da capacidade de surpreender a evidência - que, por sua vez, tem a respaldá-la justamente o “ver”, o de conter em si a transparência, e que nasce do latim “videre” - passa a ser exatamente o contrário do que se imagina a grande contribuição da crítica.
O paradoxo, em suma, afigura-se todo esse: o filme “Ensaio sobre a Cegueira” deixa em aberto que, de fato, quase simploriamente, o maior cego é aquele que se recusa a ver. A pergunta que fica no ar, porém, é aquela que não fazemos: talvez não estejamos vendo pelas razões que a própria cegueira nos dá – de não termos como evidente de que estamos cegos. Fica, mesmo assim, a convicção de que São Paulo pode estimular esse tipo de raciocínio - que é a forma de não raciocinar, ou de se recusar a fazê-lo.
Na fita, a grande cidade se mostra pela ótica do que, contrariamente, talvez seja o que podemos denominar de “poética do horror”: nada de Batmans a cruzar os céus artificiais de uma cidade brumosa que assusta de mentirinha, por ser o ambiente de um “homem morcego”; ou de Super-Homens a salvar, no último momento, o próprio mundo. Quando as cidades mergulham no sem sentido de bolsas de valores, a se esfarinharem na predação do consumismo, ou a se diluírem sob bombas – não há mesmo esperança possível. Não há super-heróis que lhes valham. A não ser naquele que vê através do mundo escondido no branco, que tapa a vista à evidência. Explica-se, porém, desta forma, que o filme Batman seja considerado a grande realização cinematográfica para os grandes jornais: eles nos conformam, sabe-se lá, à cegueira circundante. Haveria, talvez, que falar sobre esse ir e vir do que é o filme de Meirelles: ele se propõe a discutir a cegueira, um tema que a cegueira espiritual teima em não fazê-lo.
Mas é apenas uma das especulações possíveis.
Em tempo: José Saramago viu o filme e confessou-se emocionado com a adaptação de Fernando Meirelles. Difícil dizer se a crítica cinematográfica de São Paulo ou do Brasil leu o livro de José Saramago. Quem o fez – embora essa não seja em momento algum uma exigência - muito dificilmente desqualifica o filme. No mais, noticia-se que uma associação de cegos americanas achou o filme “preconceituoso”. Talvez se possa falar de uma possível, mas até aqui inédita cegueira dupla.

Enio Squeff
enio@squeff.com
www.squeff.com
Outubro 2008

Carol F. disse...

Olá Fernando,

Seu filme foi inspirador, tanto como esse diário que demorei a descobrir (não sou fã de internet)e como também, O Saramago. Na verdade, estou interessada no seu sumido roteiro, provavelmente você deve tê-lo digitalizado sem seus comentários preciosos, infelizmente. Ele, por um acaso, anda pela net?
Pois, descobri há pouco também que podemos acessar alguns roteiros de filmes brasileiros no site "roteiro de cinema". Eu ficaria megaultrafeliz de poder ler o roteiro de Ensaio sobre a cegueira ou "Blindness", porque venho trabalhando com adaptações da literatura para o cinema, e lê-lo com certeza seria mais inspirador ainda para meu trabalho.

Abraços.

cc22 disse...

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Richardson Luz disse...

Acho que não faria mal publicar estes roteiros após a exibição oficial do filme. Permitiria a pesquisadores (como eu) acompanhar o filme com o roteiro na mão. Que tal a ideia?

Fã da Dul disse...

Entre no blog da Dulce María!

http://fasdadul.blogspot.com/

RenRodRJ disse...

RENROD CONSULTORIA E SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA

boby disse...

The Coach products include women's handbags, purses, men's handbags, Coach Outlet Stores business packet, and suitcase and so on. And with a new series of products developed, the Coach is expanding its influence now. Such as Coach purses, the series of Coach purses express happiness. No matter the purses adopt gold or combination of gold and black, they display elegant temperament and release happiness in the holiday atmosphere. In addition, circular metal coils which attach on the surface of purses show some naughty. Coach Handbags