terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

14: Sobre música, codornas e unicórdio

Intróito: Caro leitor (se ainda houver algum depois deste tempo todo),

passaram-se uns dois meses desde meu último texto e confesso que parei de escrever por preguiça. Parei também porque soube que andaram traduzindo este blog para o inglês e que ele estava se espalhando mais do que o esperado. Isso me obrigaria a medir mais as palavras e eu correria o risco de ficar escrevendo um blog chapa-branca. Então parei. Só que agora resolvi colocar aqui mais uns dois ou três textos para ao menos fechar este processo que comecei. Chega de coisas não terminadas na vida. O texto abaixo foi escrito e abandonado em dezembro. Acabei de terminá-lo e aí está.

Impressionante: o vôo das 19h15 para Belo Horizonte saiu de São Paulo às 19h15. Desde que criaram a ANAC eu não pegava um vôo no horário, e com esse Nelson Jobim no Ministério da Defesa achei que minhas chances de voltar a sair e chegar no horário haviam ido para o espaço (desculpe a digressão, mas como um camarada deste pode imaginar que tem alguma chance de vir a ser presidente do Brasil? Se ele for fiel a sua própria história e inteligência, já já deve propor uma linha direta entre São Paulo e Belo Horizonte de submarino. É esperar para ver. Ele não tem a mínima noção de quem seja ou do que representa. É a mancha negra no currículo do próprio analista...) De qualquer forma o vôo para BH estava no horário. “Bom presságio”, pensei.

No dia seguinte iria finalmente ouvir as músicas do filme até então mantidas em segredo pelo Marco Antonio Guimarães, o maestro. O Marco Antonio é o criador do genial grupo mineiro Uakti, banda responsável pela trilha sonora do filme. Formam o Uakti: Paulinho, Arthur, Décio e o próprio Marco Antonio, que é violoncelista, mas nesse trabalho toca chori, gig, tampanário, únicordio, marimba de vidro com arco, entre outros instrumentos.

Na trilha, ele só não pega no violoncelo. Sorte a minha. Não que eu não goste de violoncelo: adoro, mas é que a idéia de fazer a trilha com o Uakti foi justamente trabalhar com timbres desconhecidos, com o intuito de colocar o espectador num universo sonoro tão novo quanto o mundo da cegueira. Orquestra, quartetos de cordas, pianos ou violões, por serem muito usados no cinema, nos falam de emoções de um mundo mais conhecido, e neste filme a música deveria levar o espectador para outro lugar.

O Marco Antonio contou que aprendeu marcenaria ainda criança. Há trinta anos, quando criou o grupo, dividia seu tempo entre ensaios, turnês e sua oficina, onde inventava os próprios instrumentos, trabalho inspirado pelo suíço Anton Walter Smetak – também violoncelista, também inventor de instrumentos. Smetak passou grande parte da sua vida na Bahia, onde desenvolveu um trabalho extremamente experimental.

As sonoridades que marcam as músicas do Uakti provêm de instrumentos artesanais, que contam com boa dose de criatividade: o Pan e a Marimba de Vidro. O primeiro é aquela série de canos de PVC afinados, percutidos com uma borracha ou com sandálias Havaianas, que foi popularizado no mundo pelos Blue Men; já o outro pode ser tocado com uma baqueta ou então com um arco de violino. E ainda há dezenas de outras invenções (para quem não os conhece bem, seus instrumentos e sons podem ser vistos e ouvidos no site http://www.uakti.com.br/).

Pela manhã fui encontrá-los no estúdio Acústico, onde estavam gravando e montando a trilha. Fui sem saber o que iria ouvir. No final de outubro, enviei um DVD com o segundo corte do filme, trocamos alguns e-mails, mas não recebi de volta nenhum acorde sequer. Achei que nesse encontro iríamos falar sobre idéias para a trilha e ouvir alguns rascunhos de música. Foi só no caminho para o estúdio que fiquei sabendo que eles já haviam gravado 60 faixas e que o trabalho estava praticamente concluído. É isso mesmo, 60 faixas, sendo que no filme há espaço para umas 45, no máximo.

Já vi criadores eficientes e independentes, mas o Marco Antonio bateu todos os recordes. É verdade que, na versão de montagem do filme que ele recebeu, usamos 100% de músicas do próprio Uakti, o que lhe dava uma boa referência do clima e dos timbres que gostávamos para cada cena. Por confiar nas hábeis mãos do músico, a notícia de que a trilha do filme ficou pronta antes mesmo da montagem não me deixou em pânico. Tive apenas uma espécie de ansiedade galopante no trajeto até o estúdio, o que só dificultou um pouco a digestão das broas de milho do meu café da manhã. Nada grave...

O Uakti usa instrumentos feitos com cabo de machado, tampas de panelas, sarrafos, garrafões plásticos de água, mas ao mesmo tempo o Marco é bastante hi-tech. Incorpora os recursos digitais em seu processo criativo: ele escreve as partituras a lápis num caderno com pautas, grava cada instrumento separadamente e completa seu trabalho de criação juntando as partes no Pro-Tools, um programa de composição. Além de uma enorme liberdade criativa, esse processo deixa em aberto possibilidades de rearranjo das músicas, coisa fundamental quando ainda não se tem o corte final.

Como havíamos combinado a criação de uma trilha mais minimalista, sem temas grandiloqüentes, ele mostrou seis músicas para serem colocadas em cenas específicas, com pontos de entrada e saída definidos; depois, me apresentou mais um pacote de 54 temas compostos para tubões, trilobitas, tri-lá, torre, balão, garrafão, tambor d’água, tambor metálico, lata-de-leite-em-pó-em-dó, tubo-grande, peixe, tampanário, garrafa soprada, únicordio, etc.

Após uma rápida introdução para cada composição, ouvíamos tentando imaginar para qual cena do filme funcionaria. Evidentemente o Marco tinha suas sugestões, mas percebi que ele estava mais interessado em criar um universo sonoro particular para o filme, deixando a nosso critério (meu e do Daniel) a decisão final sobre onde iria cada uma daquelas composições. Independentemente de onde colocássemos cada música, a sonoridade que criou para o filme estaria garantida.

Ter tal liberdade de uso da música me surpreendeu, mas não desagradou. Faixas que o Marco imaginou para algumas cenas específicas inevitavelmente iriam parar em outras. Gosto de deixar uma cena ir para um lado e vir com a música falando quase o oposto. Música leve para cena dramática. Um velho truque infalível. Aquela audição foi como receber de presente um jogo de armar. Música para armar. Um processo muito diferente que eu jamais havia feito. Voltei para São Paulo com o pacote de canções debaixo do braço, ansioso para começar a colocá-las no filme (e com 1h30 de atraso. Jobim e sua turma da INFRAERO e ANAC tardam, mas “não falham”).

A montagem já estava em sua sexta versão. Muitas cenas precisavam de uma música que as fizesse crescer em tensão, ou que fossem mudando de clima pouco a pouco. Mas como a maioria das músicas eram mais minimalistas, conforme o combinado, percebemos que às vezes o esforço dos atores ou da montagem para colocar ou tirar energia de uma cena estavam sendo atenuados pela música.

Para conseguir estas mudanças de clima, começamos então a combinar mais de uma música numa mesma cena. Às vezes somávamos três ou quatro pistas. Neste processo, o Daniel se sentiu bastante incomodado e insistia que deveríamos mandar tudo de volta para o Marco e pedir-lhe que fizesse sua versão de montagem primeiro, para afinarmos a partir daí. Só que não havia tempo. Tínhamos que terminar uma versão do filme para apresentá-lo aos distribuidores em Nova York, e então fomos seguindo assim mesmo. Acabamos a montagem da música na correria. Mandei uma cópia para BH no início de janeiro e em seguida voei para NY. Ao retornar, recebi um e-mail do Marco Antonio, chateado com o que havíamos feito com seu trabalho. Tomamos um pito por termos feito algo para o qual não estávamos equipados tecnologicamente, e muito menos com os conhecimentos musicais necessários.

A solução foi combinarmos uma nova ida a BH onde trabalharíamos juntos ininterruptamente em cada entrada até sair com a música do filme pronta. Isso aconteceu em meados de janeiro.

O Alexandre, como um perfeito anfitrião mineiro, mandou preparar ali na cozinha do seu estúdio deliciosos tutus, carne de porco, angu e até codornas, para não termos que sair da imersão. Em três dias, sem muita pausa, o trabalho foi completado e saímos todos felizes. Partindo da nossa montagem meio Frankenstein, o Marco foi simplificando o trabalho, deixando as músicas por mais tempo, evitando algumas misturas, tirando efeitos que pontuavam demais a ação. Trilha didática é ruim mesmo, aprendemos na prática. Ele fez uma espécie de limpeza geral e sentimos que o filme ganhou com isso. Tudo ficou mais simples e ao mesmo tempo mais complexo – se é que essa contradição possa ser conciliada.

Agora, no início de fevereiro, já estamos na oitava versão da montagem. Como todos os ruídos já estão sendo enviados de Curitiba pelo Alessandro Larocca, nosso sound-designer, provavelmente teremos que remontar algumas músicas, mas aí será um trabalho mais simples, apenas de adaptação do que já está pronto. Estamos na reta final (espero).

Em breve notícias do sofrido processo de montagem e da artilharia verbal dos amigos.

135 comentários:

Burocrata disse...

Fiquei curioso para saber como ficou essa trilha minimalista!

Lucas Teles disse...

Fernando welcome back!

Como é bom acessar esse espaço e ver que nos mostrou mais pouco desse maravilhoso processo de produção e pós-produção.

Estou não só curioso, mas tb ancioso para entrar nesse universo escuro(ou seria branco) e de sonoridade desconhecida.

Sucesso e muito bom trabalho.

Tati disse...

Bem-vindo de volta Meirelles! Não vejo a hora de ouvir esta trilha na sala escura, com tela grande e muitas imagens! =)

Vinícius disse...

EEEEEEEEEE

Até que enfim, Fernando. Pow!

Todo dia acessava o blog apalpando às cegas informações sobre o filme e nada...

Pelo jeito que descreveu a trilha sonora,seu filme proporcionará as mesmas sensações propostas por Saramago!!!

Quero ver! Quero ver! Quero ver!

Marcio Holanda disse...

Que beleza ler mais esse belo post. Sabia que assinar e ser avisado de cada post seria o melhor a se fazer.

Agora é esperar pelo filme!
Boa sorte nessa reta final

RFante disse...

É muito bom voltar a ler este blog. Por favor, não pare Fernando. Forte abraço e bom trabalho!

Tanaka disse...

Mais uma dimensão na estrutura, mais complexidade, mais escolhas a serem feitas...Pelo que tenho entendio é um exercício de desapego enorme finalizar um filme...

Ana disse...

Não tinha idéia de que a trilha seria feita pelo Uakti! Que bela surpresa, pois adoro as composições deles!

Mal posso esperar por este filme...

Knowles disse...

Mas saindo completamente do meio musical, eu realmente estou achando os personagens muito "clean"... Mas veremos!

Abração e até a próxima.

Pacha Urbano disse...

Aprendo muito com seus posts aqui no blog, Fernando, principalmente a respeitar o trabalho de vocês. Passei a compreender que é muito mais do que sair do cinema cuspindo milho de pipoca. Tenha certeza que este filme é aguardado por todos com muito carinho.

Foi ótimo voltar aqui e encontrar um post novo. Nosso presente no sapatinho na janela.

ROBNEY BRUNO disse...

O MENINO E O LOUVADEUS
por Robney Bruno

A vida era bem mais fácil quando eu era um super-herói. O tempo todo, supervilões tentando conquistar o planeta e eu ali defendendo aquele insignificante pontinho azul no espaço. Defendi a terra desses invasores dos cinco aos doze anos de idade, quando meus superpoderes começaram a falhar. Não sei explicar o que aconteceu. Sei que aos treze, depois de sobreviver a um turbilhão de mudanças em meu corpo de super -as espinhas e as pedras nos peitos eram as piores - eu me vi desprovido dos meus poderes. Não podia mais voar. Não podia mais usar a minha visão de raio-x a fim de ver os corpos das garotas. Não podia mais usar de minha superforça a fim de desatolar o chevette do meu pai. Eu havia me tornado um ser humano normal, e - o que é pior! - em plena adolescência. Engordei, tornei-me um pária adorador de gibis de super-heróis, de filmes estrelados por sujeitos musculosos e de cachorros vira-latas tão carentes quanto eu. Foi quando, numa tarde chuvosa de dezembro, aos trinta e três anos de idade, encontrei, empoeirada e entregue às traças, o meu antigo uniforme. Tentei vesti-lo, mas meus quilos não permitiram. Fiquei observando-o por horas e horas e chorei. Depois, tratei de jogá-lo fora e de esquecer minhas façanhas heróicas. Abracei minha fraqueza, meu desespero, e me tornei um sonhador. Um sonhador que está preste a realizar mais uma façanha. Entrar em minha própria máquina do tempo – isso mesmo, eu inventei uma - e voltar a minha infância. Dessa vez juro que vai ser a última vez. O Menino e O LouvaDeus, está vindo aí. Amadurecendo feito fruta no pé. Esta terceira incerssão a minha infância fala justamente de um menino que sonha em ser um super-herói. Que sonha em ser Deus para mudar o mundo. Sinto que vou voltar de lá mais maduro. Mas não quero. Quero continuar sendo menino. Defendendo a Terra dos supervilões. Usando os meus superpoderes. Continuar fazendo aquilo que sempre sonhei.

________________________
Adaptação do texto SUPER-HERÓI
de André de Leones.
www.euquerofazerlonga.blogspot.com

Grazielle disse...

Eu sempre entro p/ ver se vc não postou nada...
Fiquei feliz em ver q vc "lembrou" do Blog. rs
Tô doida p/ q o filme estréie logo!
Abs.

Brenno disse...

Muito obrigado pelo post, fico muito agradecido pela aula.

Thiago disse...

ô Fernando, faz maldade com a gente não. Aparece pelo menos para o oi.

Não vou mentir que estou com uma puta expectativa em relação ao filme. Desdeo trabalho de conclusão de semestre (baseado no livro), que culminou com o anúncio do início das gravações do filme, ando nessa histeria... aguardando seus coments para ao menos aliviar minhas tensões.
Welcome back!

Gleydson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gleydson disse...

Hmmm... Broa de milho mineira... Que saudade! :-)

Muitas saudades também dos posts. Valeu Fernando!

Uakti é louco, hein? Não conheço o trabalho deles como se deve, mas já estão credenciados infinitamente agora. ;-)

Abraços!

Clube Solidário disse...

Fernando...
Foi muito bom entrar aqui hoje (como já é de costume... acabou se tornando uma rotina acessar o blog com aquela esperança de encontrar uma nova nota!) e encontrar um texto não só pra matar a saudade, mas pra ficar ainda mais ansiosa com o resultado do filme! Parece estar tudo caminhando para a excelência!!! Mal posso esperar pra ver o resultado na telona!!!

Cássia disse...

Fernando, o mais legal de ter acompanhado o blogue desde o começo foi perceber como um filme é trabalho de ourives: vocês lapidam, lapidam, lapidam, lapidam, lapidam... Mal sabemos nós que para as poucas horas que temos na sala do cinema, há milhares de outras tantas para o filme ficar sensacional. Parabéns e sucesso hoje e sempre.

Um grande beijo.

Marcelo Garcia disse...

Sentimento de gratidão... isso é o que sinto ao ler seus post´s. Ao compartilhar todo o processo de criação desse filme conosco pelo blog, você demonstra que é uma pessoa generosa, pois para alguns cineastas ''estrelas'' a relação, publico e seus filmes, deve se restringir apenas ao reconhecimento de seus trabalhos como grandes obras e ao retorno que nós, o público, lhes daremos nas bilheterias.
Já com você Fernando, a historia muda, tu além de fazer grandes obras - primas também nos faz sentir parte delas, compartilhando cada momento desse capítulo de sua carreira sem ter medo de se expor e isso é a mais explícita demonstração de generosidade.
Por isso que a cada post que leio e comento, como este, sempre termino dizendo: OBRIGADO !!!

PS: Perdoe meu português.

alfamgm@hotmail.com

Luiz Cézar Cordeiro disse...

Como muitos, estou ansioso para ver a estréia deste longa. A obra é fantástica, e acho que com sua direção, o filme também será excelente.

Ricardo [DIVERSITÀ] disse...

extremamente ansioso por um trailer!

e não deixa a gente sem noticias mais, please!

Fabio Allves disse...

Fernando, gostaria de saber qual em qual e-mail mando uma proposta comercial de HOTWords para o seu blog . (HOTWords é uma ferramenta nova de publicidade). Obrigado!
Fábio Alves
fabio@hotwords.com.br
fabioallves@gmail.com

Gabriel disse...

Aêêê!!!

ainda bem que eu tenho RSS !!!!

estamos todos ansiosos !!!

parabéns !!!

cristina disse...

Bacana Meireles, muito boa escolha pra trilha o grupo Uakti eles são demais! Tenho certeza que vai ficar muito bom. Eu ainda não lí o ensaio sobre a cegueira espero ler antes de ver o filme, boa sorte no restante do projeto! bjoss

Renato Gaiarsa disse...

ôpa! e não é que voltou a atualizar. me bati também com a tradução - resumida - do blog. foi destque num portal que acompanho noticias de cinema, moviecitynews.com. vc realmente achou que não ia vazar? hehehe... Uakti rules, trabalhei num material uma vez que foi recheado com músicas deles - mas foi um institucional interno, de uma igreja, sem problemas autorais, espero. e achei bacana essa escolha do universo sonoro mais estranho... bom, é esperar pra ver.

por que nem o saramago nem voces pensaram nos insetos?

Luiz Eduardo disse...

Fernando, nem acredito q postaste!

Depois de dias sem vir aqui, porque está nos meus favoritos, eu entro e me deparo com uma postagem nova.

Acompanhar a criação de um filme é uma sensação muito legal, e a maneira corriqueira que você coloca deixa a todos ansiosos.

Não vejo a hora de ver o filme. Ao saber q você esteve fazendo a trilha em BH fiquei feliz, pois não sabia q tanta coisa seria feita no Brasil.

Curiosíssimo sobre as sensações que esse filme provocará, principalmente sabendo como algumas foram pensadas.

Sorte no Tabalho, abraço

Lucas disse...

claro que ainda tem gente lendo!
por sinal eu abria quase todo dia esperando um novo texto, crente que uma hora voltava, afinal você nunca havia dito que tinha encerrado o blog...
agurado os proximos textos!

Blog do Daniel disse...

Bom. Pelo jeito o filme já está na reta final. Estou muito ancioso para assistí-lo. Depois de ler todos os post eu tô com uma puta espectativa.Pena que o blog vai acabar, mas tomara que nos seus próximos filmes você crie mais textos para lermos.
Um abraço.

ROBNEY BRUNO disse...

SOBRE TROPA DE ELITE E FESTIVAL DE BERLIM
por Robney Bruno

Ao contrário do que pode parecer, torço sim e muito pelos filmes brasileiros, e ainda mais para os goianos, porra! Só fiz algumas críticas sobre o filme TROPA DE ELITE, porque os seus produtores insistem em torná-lo maior do que realmente ele é. Quando o assisti no cinema pela primeira vez gostei bastante, mas depois analisando friamente os aspectos cinematográficos do filme, vemos claramente que ele não apresenta nenhuma novidade cinematográfica. Faz apenas uma releitura, em termos narrativos e estéticos, de Cidade de Deus. Só isso. (É lógico que o tema do filme é imporante e o iscambal caralho! não tô falando disso!). E lá fora, principalmente nos festivais de cinema, é isso que eles levam em consideração: se um filme tem sua identidade própria, e apresenta alguma novidade, tanto na sua narrativa quanto na sua estética. Ou vocês acham que Cidade de Deus fez tanto sucesso por causa dos olhos verdes do Zé Pequeno? (peraí o Zé Pequeno tinha olhos verdes?).

Mas agora é como diz o ditado: Deixemos que o filme fale por si só, e veremos até onde ele tem fôlego para ir!

Paola disse...

Obrigada!
Como é bom ler o que vc escreve!
Beijos
PAola

Henrique disse...

Que bom que atualizou.

Vamos acompanhando...

Lucas disse...

Meirelles, continua com os posts, estão ótimos.

Já estou ansioso pelo próximo.

Boa sorte!

Fernando Remedios disse...

Welcome back!!!
Had a good vacation? hahahaha

Rogério Saliba disse...

Estamos aqui sim!!!! hehehe...

E o novo post está fascinante, como sempre!! Também achei legal ver como muito do processo é feito aqui no Brasil.

Grande Abraço!!

Iza disse...

Que alegria encontrar um post novo tão aguardado no blog....Adorei!!!!

Acho q o cinema realmente é uma arte que não existe sem a música, e me parece q o está em ótimas mãos , tenho certeza que vai ficar lindo. Obrigada pela foto nova do filme aqui publicada.
Obrigada, Obrigada, Obrigada
Um grande abraço
Iza

LBL disse...

sempre muito importante a trilha...
Boa sorte e muito sucesso!!

Estamos no aguardo do filme e torcendo!
=)

LRO disse...

Cara, também estou louco de curiosidade pra coferir o resultado final! Quando vai aparecer um teaser pra dar um gostinho??
Valeu por compartilhar essas experiências!
Significa muito!!
abração!

Welington@hotmail.com disse...

Já que o ambiente é mineiro, reitero aqui a sugestão sobre Grande Sertão: Veredas. Vc é a pessoa certa para fazer uma adaptação desse clássico, com roteiro de Bráulio Mantovani, filmado em Urucúia. Pense nisso. Abraço, boa sorte em Cannes. Não vejo a hora de assistir ao filme.

Gustavo disse...

Fernando,

Sobre informações que vazaram, você viu essa nota que saiu no "Ain't It Cool News?"

http://www.aintitcool.com/node/35634

beckspace disse...

o nelson jobim é tão lunático assim? não sei se a idéia do submarino é tão estapafúrdia assim, até onde sei o campo de Tupi fica praticamente em águas internacionais a 300 km da costa... o q há mais para o ministro da defesa defender no brasil? além do espaço aéreo, claro

victorsk8ribeiro disse...

Fiquei com vontade de comer broas de milho...

Joãozinho disse...

E eu não vejo a hora de ver/ouvir/sentir o filme todo! Nunca aguardei tanto uma produção como essa.

Paulo Sacramento disse...

Heheh. Fico só imaginando a trabalheira que dá colocar música em filme. Quem sabe um dia uma música minha não aparece nas telinhas...

www.paulosacramento.com.br

Marco A. disse...

os textos me emocionam...
estou ansioso pelo filme. não poderia ser diferente. sou ansioso.
fascinante!

Michel disse...

Fernando Meireles, que bom que você tenha voltado a escrever. Sei que você nunca responde as postagens. Sequer sei se você as lê, mas vou deixar registrada minha opinião, e faço com grande respeito ao profissional que você é, embora tenha que discordar dos caminhos adotados.

Fico decepcionado com o rumo que a trilha sonora está tomando. Eu supus que teríamos algo mais melódico, mas pela sua descrição a trilha sonora será cacofônica.

Infelizmente as músicas de filmes romperam com o tradicional e clássico formato orquestral, afastando-se da música e rumando para o ruído. Até a aconselhável prática de compor a música depois do filme pronto está caindo em desuso.

Phillip Glass é um compositor de músicas de cinema que assumiu o tom minimalista, mas sem rumar para a cacofonia.

Antonio Pinto tinha se mostrado um grande compositor brasileiro, inclusive tendo feito uma trilha sonora em parceria com James Newton Howard. Ambos são compositores modernos mas fazem parte da antiga escola.

Esses compositores seriam grandes opções e garantias certas de sucesso. São profissionais que têm uma identidade e grande versatilidade.

Acredito que esse rumo experimental que o filme está tomando pode ser um grande erro e destoar profundamente do tom solene que o livro de Saramago tem.

O improviso tem limites, tanto para a atuação de atores como para a composição de uma trilha sonora. Parece que você soltou as rédeas de um filme que deveria ser meticulosamente elaborado.

Cada elemento foi colocado no livro de forma criteriosa e parcimoniosa. Nenhum livro de Saramago é tão cinematográfico quanto O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA. Talvez só existam dois outros livros mais cinematográficos, eles seriam A CAVERNA e O HOMEM DUPLICADO.

Digo isto porque o livro em si já era um belo screenplay e deveras eficiente, não necessitando tomar um rumo distinto. Foi-se embora toda a solenidade, densidade e crueldade do livro. Talvez um dos mais cruéis livros já escritos na história e o ápice da literatura do século XX.

Apesar de tudo é um livro poético, lírico praticamente. Era isso que deveríamos esperar da trilha sonora. Somente num caso a história narrada enseja a aplicação da cacofonia: no paulatino e progressivo processo de desumanização e animalização dos personagens.

Se tivéssemos um compositor tradicional teríamos temas memoráveis para os personagens principais, identificando cada um. Temas para os eventos e uma trilha que progressivamente narraria essa desumanização. E um tema de redenção também. Parece que teremos um improviso genérico e despersonalizado pelo que pude perceber das sonoridades do Uakti. E isso me entristeceu, pois sua obra merecia uma música memorável e eterna.

Lamento pelas longas palavras e talvez duras. Sei o quanto você é um diretor dedicado e sei como podem parecer ingratas essas palavras.

Torço pelo filme, por você e quero estar errado. Continuo aguardando ansiosamente pelo filme.

ROBNEY BRUNO disse...

Sem querer meter a colher no mingau dos outros, a princípio eu também achei estranho o caminho escolhido para a trilha sonora do filme. Logo acessei o site do Uakti, e sua sonoridade minimalista me lembrou muito algumas músicas infantis que coloco para as minhas filhas dormir. É realmente o Fernando dessa vez exagerou., pensei. Mas depois me lembrei de um dos filmes produzido recentemente aqui em Goiás, cujo grande sucesso é exatamente a trilha sonora, feita utilizando o corpo como instrumento musical, e agora tenho uma opinião diferente. Se o Fernando souber conduzir esse processo inusitado, como vem demonstrando em todos os seus trabalhos até aqui, ele pode sim, fazer um belo filme, e corresponder toda a expectativa que está se criando, pela armadilha em que se meteu ao criar este blog. Aliás, o que seria do cinema se não fossem a ousadia dos seus grandes mestres, diria os seus fãs de plantão. O jeito agora é esperar e ficar na torcida para que o nosso querido diretor não tenha exagerado em seu pó mágico, e não exploda o seu caldeirão junto com os milhares de dólares investidos, inclusive os R$ 5,5 milhões e meio do povo brasileiro. Mas quem se importa afinal, não é mesmo.

Ivo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ivo disse...

=D Este filme vai ser incrivel!
Faça por isso Meirelles ;)

Sou português, tenho 18 anos e já li quase 7obras de saramago (uma está a meio!), o ensaio sobre a cegueira li-o duas vezes!! Já tive oportunidade de estar com José Saramago! Só fique triste de não ter participado no casting pra entrar no filme.. há um ano atrás andei a pesquisar mas não consegui inscrever-me =/ gostava de poder ajudar ao sucesso do filme!
No entanto, espero sinceramente que todos os que têm a sorte de fazer parte deste filme tenham sucesso na sua jornada!!

Boa Sorte!! :D

meu email é gandalf_ivo@hotmail.com! Mandem noticias sobre o filme se puderem!

Ramon Franklin disse...

Meirelles, vê se não demora taaaaanto assim pra postar rapaz, vim ler esse blog esse fim de semana e me deparei com coisas muitas legais e curiosas pra apreciar, melhor que extras de muito filme por aê.. Daí fui lendo tudinho num só fim de semana, assim como vc disse que seria com o livro do Saramago.

Deixo a sugestão de linkar esse blog num breve site oficial do filme... abraços, sucesso e aguardamos anciosos novos posts. :)

Miguel Marcarian disse...

muito bom ler seus posts.
realmente alguém falou isso... é uma experiência de desapego fazer um filme. pelo menos com vc.
vamos aguardar os últimos textos...
:º)

dupcav disse...

professor de cinema!

Marcelo Garcia disse...

Referente a futura trilha sonora do filme:

Fernando, não tenho muita experiência musical, mas sou muito curioso e cinéfilo assumido. Portanto já fui xeretar a discografia UAKTI.

Confesso que me surpreendi um pouco quando comecei a escutar algumas composições, mas aos poucos comecei compreender (eu acho) a ligação entre aquele estilo com o filme e comecei a enxergar, literalmente, algumas emoções... Isso, exatamente isso, por mais estranho que pareça comecei a VER, com cores e tudo, algumas das emoções humanas.

Engraçado isso, se alguém teve essa sensação me digam achei muito estranho, porém lindo. Agora deixando minha experiência pessoal um pouco de lado, acredito que um filme que trata da cegueira como um de seus temas principais é quase que obrigatório ter uma trilha sonora no mínimo ótima. Mas, o ótimo é muito difícil de se encontrar, mas o ótimo e novo, aí sim é trabalho para quem realmente tem talento.
UAKTI é exatamente isso, apesar de não serem tão novos no cenário musical são novos em filmes dessa magnitude internacional, tipo ''para gringo ver'' entende.
O que buscamos em um filme é qualidade com criatividade, ou melhor, novidade. Por isso que se fizerem uma cópia fiel do E o Vento Levou por exemplo, não gostaríamos tanto quanto o original, já que não haveria nada que nos surpreendesse mesmo o filme sendo maravilhoso, inclusive houveram alguns filmes que foram, de fato, ruins ou fazios, mas tinham alguma novidade que nos fizessem PRESTAR ATENÇÃO.
Na verdade, os ou o UAKTI é exatamente isso, é muito bom é novidade e é perfeito para o tema do filme já que consegue atingir o sentido da audição tão bem, pois a cegueira já tomou conta de tudo.

alfamgm@hotmail.com

joao batista disse...

Fernando, o que tenho lido em seu blog, me encanta imensamente, não apenas pela imersão que se faz no seu processo de criação, mas tb pelos pertinentes comentários e digressões feitas no curso do seu texto. Parabéns!
Do filme, após ler o livro, tenho grandes expectativas, que, espero, sejam todas atendidas e superadas. Talvze vc não devesse demorar tanto tempo para escrever novamente. Há raízes que foram criadas e não devem ser cortadas sem alguma condescendência.
Aguardo o próximo post!

Gutemberg Lins (Guto) disse...

Grande diretor Fernando Meirelles!!! Parabéns pela sua genialidade e responsabilidade em filmar Blindness.
Eu tive a honra de participar dessa grande obra, participei como figuração e dublê no centro de SP, sou da equipe Águias de Fogo, aliás nossa equipe sentiu honrada em estar participando desse grande trabalho.
Me perdoe pela minha ignorância mas ainda não li o livro, mas todo mundo me dizia: assim que você ler o livro vai saber porque Julianne Moore é perfeita para o papel!!!
Bem gostaria de deixar meu perfil do orkut caso você ou os usuários do Blog possam conferir algumas fotos.
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=16528830954054684636&pcy=3&t=0

Muita paz, saúde e sucesso para você. Aguardamos ansioso para o lançamento do filme.

SB disse...

Já que apenas este me é acessível, “mais um arquiteto” que faz filmes, eu estou aqui buscando uma maneira de dar continuidade ao papo.
Achei:
Estou com muita vontade de colocar portas de armário na cozinha, tenho imaginado coisas que ficariam lindíssimas. Jogos de armar armário. Só não tenho o arquiteto para me auxiliar na questão dos materiais, penso em algo transparente.. Os que conheço só tem vida social. Caso você tenha interesse e não for muito caro, me ligue!
Quanto à trilha sonora, porque seria o político Nelson Jobim tomando tanto as suas atenções e Tom Jobim passando despercebido nesta tua possibilidade compositora. Faço esta observação, até porque não é só com você que isto ocorre, eu, por exemplo, sempre tenho que tomar cuidados com as confusões com Umbertos.
Aliás, este pra mim é um dos maiores problemas em se misturar paradigmaticamente documentário com campanhas políticas; publicidade com arquitetura; cineasta com top model.
Para os que aprenderam a ler nada tem feito muita diferença.

Fabio Allves disse...

Olá Fernando,

Estou entrando em contato novamente para tratar da Parceria Comercial mencionada via e-mail em 13/02/08.

Continuamos interessados no site.

Aguardo um retorno para iniciarmos a negociação.

Grato e à disposição,
Fábio Alves
------------------------------
fabio@hotwords.com.br

Hugo Harris disse...

Enfim algum texto, hein... esperei bastante... quando tinha conseguido descobrir qual era o blog, nenhum texto mais aparecia... Queria saber mais e mais e... maaais...
Fernando, assim como muitos, estou ansioso pelo filme... anda logo, viaja logo, monta logo e começa a projetar!
Boa Sorte!

Gus Lise disse...

É claro que todos lembramos desse blog, dessa aula, desse sonho!!
Acredito que como eu todas as outras pessoas sempre teimam em passar por aqui na ácida espera por um novo texto.
Salve, salve, Fernando!!
Não vejo a hora de fechar os olhos e mergulhar nessas visões musicais.

Grande abraço.

Rô =] disse...

Fernando
Torço muito pelo seu trabalho.
Acho diferente, novo, mesmo possuindo uma simplicidade ímpar. É muito admirável mesmo, e dá mais orgulho ainda por saber que você é brasileiro!

O que você faz é o que eu sempre considerei cinema de verdade. São filmes diretos, que não me enrolam nem me deixam entediada.

Por isso, aguardo ansiosa pelo Blindness. Parabéns por ter conseguido a oportunidade de traduzir em imagens a maravilha que é essa obra-prima do Saramago. algumas funções só são dadas à quem tem real competência para realizá-las a altura.

Torço muito por esse filme e por você! Sorteee.
Abraços.

Halbermensch disse...

Adoro o UAKTI, acompanho o trabalho dos caras desde tempos remotos. Brilhante escolha. Tenho certeza que ficou esplêndido. Tô ansioso pra ver (e ouvir) o filme.

mARINA mONTEIRO disse...

existem dois personagens literários que marcaram profundamente minha caminhada como atriz, assim só de ler: a personagem proncipal do Um lugar ao sol, do Érico Veríssimo, e a mulher do médico do Saramago...

Carolinda! disse...

até que enfim você voltou!!!
não era justo não concluir esse blog...
terminem logo essas montagens!
e mantenha-nos informados...
estou louca para ver o filme!
beijos

Marilia disse...

As pessoas ainda nem assistiram ao filme, nem ouviram a música e já estão tecendo comentários preconceituosos com relação a sua escolha. Para mim, parece acertada a idéia de utilizar um som mais minimalista, menos é sempre mais, além disso, a história já é por demais forte e qualquer rebuscamento pode tirar a atenção do q verdadeiramente importa: as cenas do filme q dão vida a esse livro maravilhoso.
Fico na torcida e expectativa para conferir o resultado final.
Abraços!

Maic disse...

Muito interessante este blog, que permite ficar a saber alguma coisa sobre esta temática.Ficar com uma mínima ideia sobre o que está por detrás do filme que nos chega prontinho a consumir no pequeno ou no grande ecran
Felicidades

Michel disse...

Marília, "as pessoas tecendo comentários preconceituosos" sou eu. Sinta-se à vontade de me nominar, já que sou o único a criticar o UAKTI e pelo que observo um dos poucos a ter ouvido alguma coisa desse grupo.

Mas você está equivocada. Primeiramente porque meus comentários não são preconceituosos. Ter opinião não é ter preconceito.

É lamentável que você julgue assim, uma opinião diferente da sua.

Em segundo, expus meu pensamento de forma embasada. Minha primeira reação ao saber sobre a trilha sonora foi ouvir aproximadamente duas horas de música do UAKTI e me decepcionar.

O grau de amadorismo, improvisação e cacofonia é assustador. Hoje é muito comum gente que não entende de música tentar o cinema. Infelizmente há vários "compositores" que sequer sabem escrever uma partitura. Posso citar vários nomes famosos de Hollywood que precisam de um verdadeiro músico para orquestrar suas composições. Destaco dois: Zimmer e Elfman.

A alegação desses músicos é que eles não precisam ficar presos à formalismos da "old school" e que isto atrapalha a atividade criativa.

Ambos colocam sua música sob a alcunha do "minimalismo". Tudo mentira, já que o minimalismo é outra coisa. Minimalismo tem outros nomes: Howard Shore ou Phillip Glass.

A música orquestrada e na partitura permite recursos que não existem nessa tal música improvisada. Há o tema, o subtema. Isso permite a leitura e sua visualização, viabilizando sua melhor adaptação ao filme.

Até mesmo o improviso tem suas regras. O "third stream jazz" é um grande exemplo. É muito temático e próximo a uma trilha de cinema. Uma música tem início, meio e fim, exatamente como uma história. Tem também um clímax. É exatamente a mesma estrutura.

As grandes músicas do cinema são aquelas memoráveis, que seguem essa regra e nem por isso perdem a personalidade. Em que um tema é rememorado mesmo após anos. São aquelas músicas que a gente sai do cinema assobiando.

Ao que tudo indica, Marília, você prefere apoiar incondicionalmente algo que sequer ouviu do que ter uma opinião própria ou mesmo respeitar a opinião alheia. Realmente lamentável sua intolerância.

Mantenho minha posição firme de votos de sucesso ao filme. Os trabalhos anteriores me impressionaram bastante e creio que nesse não será diferente. Mas me reservo ao direito de opinar sobre a trilha da forma mais respeitosa possível.

O império das causas perdidas disse...

Espero conseguir ver o filme no cinema. Parece que sala de cinema no Brasil tem acordo com Washington pra apenas passar filme americano, a não ser que seja da Globo filmes. Foi uma luta pra ver o ultimo doc do Moreira Salles.

Au revoir

ROBNEY BRUNO disse...

Em apoio ao amigo Michel, republico aqui os meus comentários sobre a trilha do filme (com algumas mudanças no texto para apimentar mais ainda essa discussão):

Sem querer meter a colher no mingau dos outros, a princípio eu também achei estranho o caminho escolhido para a trilha sonora do filme. Logo acessei o site do Uakti, e sua sonoridade minimalista me lembrou muito mais aquelas músicas de caixinha de jóias com bailariana que coloco para as minhas filhas dormir. É realmente o Fernando dessa vez exagerou, pensei(A não ser que ele queira que todos dormem durante o filme). Mas depois me lembrei de um dos filmes produzido recentemente aqui em Goiás, cujo grande sucesso é exatamente a trilha sonora, feita utilizando o corpo como instrumento musical, e agora tenho uma opinião diferente: Se o Fernando souber conduzir esse processo inusitado, como vem demonstrando em todos os seus trabalhos até aqui, ele pode sim, fazer uma bela trilha, e corresponder toda a expectativa dos seus puxa-sacos de plantão (pela armadilha em que se meteu ao criar este blog). Aliás, o que seria do cinema se não fossem a ousadia dos seus grandes mestres, já diria esses pusa-sacos. O jeito agora é esperar e ficar na torcida para que o nosso querido diretor não tenha exagerado em seu pó mágico, e não exploda o seu caldeirão junto com os milhares de dólares investidos, inclusive os R$ 6,2 milhões do povo brasileiro. Mas quem se importa afinal, não é mesmo?

Euriano Sales disse...

Imagino que a montagem do audio feita pelo Daniel e vc tenha ficado muito bom, até imperceptível de erros por meros espectadores, até pq o editor de vídeo tem a obrigação de saber editar áudio, e se tratando do Daniel, o melhor montador que eu já vi, deve fazer isso com maestria.
Mas imagino a cara do marco, criador do negócio, fuzilando vcs com os olhos, hahahahaha.
Essa história só fez crescer minha admiração pelo Fernando, pois encontrar um diretor que admite erros e conta esse tipo de história , é coisa rara.

Marilia disse...

1. A proposta de criação do blog não foi de criar polêmica e sim partilhar experiências de criação de um filme.
2. Concordo que todo mundo tem o direito de emitir sua opinião, afinal vivemos em um país livre. Mas me incomoda muito o fato de uma pessoa que ainda não assitiu ao filme, nem ouviu a música composta especialmente para ele, independente de quem a fez, ter um "pré-conceito" de algo que ainda não conhece. Confira primeiro o resultado final para falar se vc gostou ou não, se concorda ou não, se faria diferente.
3. Puxa-saco para mim é alguém que elogia outra pessoa visando algum interesse pessoal. Não trabalho no meio cinematográfico, muito menos da música, apesar de apreciar um bom filme e uma boa música. Apenas admiro muito o Saramago, amei o livro Ensaio sobre a Cegueira e gostei muito dos filmes do Fernando Meirelles. Assim como muita gente, estou na maior expectativa da estréia do filme e torcendo muito para que ele seja fantástico.
4. Minha intenção não foi desrespeitar ninguém, apesar de terem sido bastante deselegantes com relação ao comentário que eu fiz.

Thimm Naves disse...

Sofriveu processo de montagem, isso deve ser a parte mais interessante, dependendo dos últimos trabalhos de Meirelles pode confiar no retalho bem tecido que vai ser esse filme!!!
Parabéns! O blog sempre nos da uma noção de viagem dentro de cada etapa de construção. Lembra-me muito um romance em pequena escala... muito bom e como dizem os maiores cineastas a trilha sonora é tudo!!!!

carolina disse...

O que dizer?
Não me restam mais palavras e elogios.
Você realmente lê tudo o que escrevem? Axo dificil. E apesar de você não precisar ouvir mais elogios dos''pobres mortais''(suponho eu); Parabéns pelo seu trabalho e estamos (falo por todos) anciosos pelo proximo filme.

Sucesso.

Michel disse...

Marília, a proposta é a polêmica sim. O livro é polêmico, o tema é polêmico, espero que o filme seja muito polêmico. Meirelles é um diretor polêmico. Será que todos se esqueceram que CIDADE DE DEUS foi mais polêmico que TROPA DE ELITE?

Não creio que a finalidade dessa caixa de comentários seja meramente para colher elogios, embora Meirelles seja digno de muitos, mas não está isento de críticas.

Não é preconceito nem "pré-conceito". É conceito. Eu avaliei o trabalho do UAKTI a partir de trabalhos anteriores. Muito ingênua sua visão de que temos que experimentar tudo para criticar, senão será preconceito, segundo sua visão oblíqua. Talvez valha a pena uma segunda leitura do livro, pode ajudar rever também seus preconceitos e evitar empunhar a alcunha de "deselegante" contra quem você não concorda. ;)

De qualquer modo estamos falando de um filme que pode ser exaustivamente premiado no cenário internacional. E os caminhos musicais estão a estreitar esse universo.

As críticas que vêm depois que um filme está sendo projetado na tela de cinema não mudam a obra. O que pode mudar é a crítica que vem antes. Essa permite reavaliar a obra, lapidar melhor o diamente, ou até mesmo reafirmar a idéia, refutando a crítica.

O império das causas perdidas disse...

É bom ver que uma grande produção tem os mesmos sintomas e angustias quando se depara com o deadline e tem algo tão importante pra se fazer como a trilha sonora. Achava q isso so acontecia com produções de fundos de quintal. Sei bem disso. Estraguei alguns vídeos meus com a trilha sonora...ainda bem que sempre de orçamentos zero.

mihail disse...

Já estou no final do livro. Não vejo a hora de sair o filme

ROBERTO SCHULTZ disse...

Fernando, mandei o meu último livro (e primeiro Romance) SEGREDO E FIM (Ed. Novo Século, São Paulo) para você, na O2. Tenta dar uma folheada nele. Cara, saborear essa montagem da trilha é como saborear a comida mineira que vocês comeram por lá. Imagino os papos. Que inveja branca. Queria participar disso. Se alguém na O2 filmar o meu livro eu juro QUE DÔO (ou DOU) os direitos de filmagem. Compromisso assumido aqui, público.

Abraço.

intruso disse...

[Incrível acompanhar deste modo a descrição do processo de fazer um filme... a partir de uma história/obra literária tão complexa]

[acabo de rever, pela 3ªvez, o intenso "Fiel Jardineiro"...
e a curiosidade sobre o Blindness vai sendo cada vez maior!]

Navasques disse...

BOM QUE VOLTASTE.
ainda há alguns errantes navegantes esperando teus textos..
Tua idéia de fechar esse processo do blog parece triste, para quem acompanhou desde o ínício, mas deve ser necessário como fechar um ciclo, para abrir outro.
Mas que bom que voltaste, mesmo que para despedir-se.

Com respeito imenso e admiração maior ainda,

Olympia Navasques
Cotia-SP

Sérgio Inácio disse...

Oi Fernando, obrigado por ter voltado a postar. Teus textos são sempre uma aula que simplifica esta difícil arte que é fazer cinema. Abraço.

ROBNEY BRUNO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
pamiss disse...

Estou ansiosa pra ver tudo! trilha, atuação, cenário...
Ainda não tinha lido o livro, decidi faze-lo depois de descobrir o blog e ler o "post do esmalte".
A cada página tentava imaginar como vc ia dar vida aqueles personagens, e reproduzir todas as sensaçõe que o livro nos passa...
Enfim, expectativa altissíma!
Boa sorte nessa reta final...

day disse...

Ufa! Ainda bem que não desisti de checar os posts... Quase abandonei o blog, pensei que o Fernando havia desistido de postar aqui... Que bom que voltou! Estou aqui, morendo de curiosidade e anciedade para assistir Blindness... Puxa, será que só vai estrear em setembro mesmo????

deco disse...

Se o pessoal do Uakti fizer algo tão inspirado quanto foi a trilha para o 21 do Grupo Corpo,estaremos bem servidos.Abrs

ROBNEY BRUNO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ROBNEY BRUNO disse...

a

Ivan disse...

E o Blog volta a ser abandonado!

Portrait disse...

Olá a todos

O Portrait segue firme e forte. na edição mais recente do blog há uma
HQ da mais nova parceira do PORTRAIT, Licida Vidal. Além disso, tem
também um conto bobinho, meiguinho, apaixonado, sem uma gota de sangue
e dor.. Como esse conto é meu dizer isso já vale uma leitura (rs)...

Outra coisa: meu curso de História da Arte terá início dia 25 de
março. Passarei mais detalhes ainda nessa semana... Preço está
bacana...

http://aledacosta.blogspot.com/

E para aqueles que ainda não conhecem o PORTRAIT, bom sei lá né, cada
um, cada um. mas não custa dar uma olhadinha ...

Deixe seu comentário

Abraços
Boa semana

Portrait disse...

Oláaaaaaa

que bom que seus textos voltaram!!!!!!!!!!

Fabio Allves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fabio Allves disse...

Fernando,

Descobri hoje pela manhã como sou passional a respeito de cinema, acordei atordoado por um sonho!
Sonho esse que foi parte da minha ambição e "sonho" mais focado a minha carreira...
Central do Brasil foi minha primeira grande descoberta de "cinema" realmente, digo brasileiro, mas nessa madrugada tive uma epopéia de sonho... E você fazia parte dela... Incrível... Acontecia num plano recente e eu estava fazendo parte da equipe de produção de algum longa seu, pena que num lembro da parte do qual e que o filme falava. Mas lembro exatamente características peculiares com um toque a la Fernando Meirelles (Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel transpiram)... Dirigindo... Levando emoção a cada cena... Uma historia sendo contada e rodeada por uma idéia real... Claro que meu sonho não foi qual complexo assim, e sim minha interpretação e dedução a partir do que penso e sinto... E acho também que grande culpa desse sonho devesse ao fato de ter devorado o livro do Saramago "Ensaio sobre a Cegueira" e a grande ansiedade através dos seus textos do blog e da expectativa pelo filme...

Queria dizer apenas que você faz parte de milhares de momentos da vida... Claro que é meu diretor favorito... E espero ter muitos outros filmes pra ver... Obrigado...

Fábio Allves
http://fabioallves.blogspot.com
fabioallves@gmail.com

Miguel Marcarian disse...

Descobri que sou fan dos seus posts no blog.
Você devia escrever. Digo, escrever profissionalmente. Digo, autoralmente. Digo, como o Saramago. Não ia ser tão fácil como escrever esse blog, mas você já tem exeperiência em se arriscar.

Giovanna disse...

Claro que você tem idéia da importância deste blog, mas só para reafirmar, é demais ler seus posts!!!
Muita humildade em compartilhar estas informações...
Tenho muito orgulho de ti!

Na medida do possível, continue nos dando estas aulas de direção!

Abs

Miguel Marcarian disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
LMMateus, Fernanda Siebra, Daniel Pizamiglio e Tiago Malhas disse...

Fernando,
(Posso eu ser tão informal?)
(Lógico que sim, somos informais com quem nos agrada)
vou ser direto:
Se eu chegar no cinema e assistir um filme ruim, onde quer que você esteja, sentirá a força da minha decepção como uma tijolada nos rins.

Aliás, tenho certeza que não ireá me decepcionar.
Espero o filme mastigando os dedos.
E a pior coisa que poderia me acontecer antes de assistí-lo numa sala seria ficar cego.

Gostou da piada? Não, nem eu.

E que trilha hein...
Nada a ver com aquelas orquestras grandiloquentes que sói cabiam nos filmes mudos do Einsestein.
Seria como rir da tragédia alheia essa pomposidade absurda, tão distante da solidez do Saramago.

Força! Eu acho que isso é o melhor que posso dizer a ti.

Leinad Adiemla disse...

Bem Fernando... é muito estranho falar com alguém que não se conhece mas vai lá, espero muito desse filme claro não tanto quanto o livro pois acho que não exite nada melhor do que a nossa imaginação mas acho incrivel ver a imaginação de outras pessoas serem tranformadas em algo concreto"se é que pode se chamar assim" e quero muito ver como você encherga o ensaio sobre a cegueira, sssrrsssr será que vai haver aquela falta de movimentos causado pela cegueira,pela falta de necessidade de gesticular? bem não sei mas já espero algo grande muita sorte espero um dia conversar com você e ver como você pensa abrçs

rona disse...

o fernando: eu fiz traducao (meio-quebrado) do seu ultimo post no hebraico, pra algum blog local do cinema. fica tranquilo, tem mais pessoas num bairro do sao paulo du que toda a galera que le nessa lingua...:) mais eu nao sabia que vc nao queria que o texto se espalha. entao disculpa. mais a gente e loco por cinema e todo mundo do blog adorava, justamente o estilo leve, aberto e direito do text. cinemistas novas ficavam feliz ao saber que um grande direitor como vc tem problemas conhecidas, e que gosta de compartir com a galera pesamentos e tal. so pra vc saber. obrigado. rona

Garcia Filho disse...

Poxa, Fernando! Parou de postar de novo! Acho que você deveria levar seus projetos adiante. Esta história de se interromper sob qualquer pretexto é a maior furada.

Desabafo de um grande fã.

Glŏria disse...

Estou curiosíssima não só para saber como ficou a trilha, mas também para assistir ao filme. Há muito tempo um filme não me interessava tanto e olha que os trailers sairam ainda!!!! Li o livro e amei e espero que tenha conseguido transpor para a telona aquele climão todo. Bom, depois que vi Jardineiro Fiel e toda a verdade e confiança que ele passa, acredito sim que Blindess vai ser muito bacana!!!
Tomara que estreie logo no Brasil!!! Sorte

Jan disse...

Ansiedade demais!

A trilha sonora dá alma aos filmes, mas um motivo para esperar o lançamento de Blindness!!!

Um abraço

Jan

Batman Lusitano disse...

Boas Fernando.
Agora só falta contar como rola o processo com os distribuidores. Com a rapaziada da pesada em NY. Aqui em Portugal rola uma história estranha sobre o "Cidade" e os boss de NY.
Queria saber de ti o quanto eles mandam mesmo ou não num filmes destes.
Beijos. Abraços. Sucesso. E larga mão de ser preguiçoso. ;-)

Felipe disse...

Já estava desistindo de vr atualizações... rs

Muito bom o Blog Fernando.

The friend disse...

Excelente blog. Um autor como este fazia falta no forum de discussão http://www.espacofuncoapublica.com. Este é um forum para a defesa da classe dos funcionarios publicos.

Arietro Pinheiro disse...

Caro Fernando,

Sou publicitário e estudante de Letras. Como grande admirador de seus trabalhos e fã de Ensaio sobre a Cegeuira, aproveitei a realização do filme e resolvi escrever a letra de uma canção intitulada "The Doctor's Wife is Here". Enviei-a para o e-mail da O2 Filmes e para o do grupo Uakti. Aguardo um contato se possível. Um forte abraço.

Marcos Crovis disse...

quer dizer que estão traduzindo o blog para o inglês?
Passa o endereço pra gente que agora fiquei curioso pra saber como eles vão traduzir "(...) tubões, trilobitas, tri-lá, torre, balão, garrafão, tambor d’água, tambor metálico, lata-de-leite-em-pó-em-dó, tubo-grande, peixe, tampanário, garrafa soprada, únicordio(...)".

Vai parecer tudo, meno descrição de instrumento musical...

alice disse...

Por quê a página ficou listrada?
que engraçado!

, disse...

Li o livro há uns 3 anos. Foi a obra que mais me impactou nesses últimos tempos. Fique sabendo que você iria dirigir um filme sobre a obra de Saramago ano passado, pô, que surpresa! Adoro seus filmes, as sutilezas de um observador sensível. Vi o trailer. A atmosfera me fez lembrar do visual que ficou impregnado na minha cabeça desde à leitura. Aquele nostalgia que vai nos incomodando a medida que o livro avança. Como um leproso amarrado a um espelho, sempre vai estar lá, a imagem de sua decadência. Espero que o filme dê uma mexida em todos nós, tem muita acontecendo, e fingimos não ver. Abraço Meirelles e sucesso!

Ana disse...

Fernando,

tutu, carne de porco, angu e codorna? Vade retro! Os vegetarianos devem estar de estômagos revirados. Em todo caso, tudo é uma questão de gosto e de "consciência".
Em tempo: adoro o Uakti e parabenizo-o pela escolha - se bem que o silêncio tem sido minha música preferida.
Sucesso!
Abraço
Vidya

Ana Lanzoni

Seja bem vindo ao meu blog ! disse...

Está perfeito o blog!
Comenta o meu também!
Beijo!

Tamyra disse...

Fernando

Sou formada em Letras e li muito Saramago, considero-o um gênio e sei como deve estar sendo dificil sintetizá-lo em duas horas. Ensaio sobre a cegueira é um livro sufocante, extenuante e inquietante, cujo clímax da loucura são as cenas de estupro, pois simbolizam a animalização do ser humano privado de um sentido, e privado de sua identidade, que é o que sugere o Ensaio e si.

Acredito MUITO no seu trabalho, pela sua coragem e sensibilidade em filmar Saramago, BOA SORTE!!

Hugo disse...

Venho aqui deixar neu elogio a este belissimo blog, como sempre com posts muito interessantes, meus parabens, espero que continue sempre assim - são blogs assim que a internet esta precisando

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Viviane Sato disse...

Estou ansiosa! Quero muito ver o filme e ouvir a trilha. Sou fã do seu trabalho!

Dickson disse...

Fernando,

Gostaria de lhe enviar um semi-roteiro, mas não sei como. Favor contate-me no e-mail:

dmsales@ig.com.br

Um abraço

rafaela disse...

Oi, adorei ver o filme, ficou muito bom...
Parabens pra vcs!!!
Sou de Florianópolis, Santa catarina , Brasil
Rafaela hauptli

Gláucia disse...

Assisti ao filme há dois dias, e vim recorrer à web para saber, para além dos créditos finais, um pouco mais a respeito da trilha sonora. Eis que encontro esta preciosidade!

Cada vez mais fã.

Flávio Mello disse...

CEGO POR LAGRIMAS


Ontem, domingo, fui assistir ao filme Ensaio sobre a Cegueira, baseado em livro homônimo de José Saramago, eu já escrevi por aqui algo sobre o meu apreço ao escritor de Todos os Nomes, então me recuso dizer mais sobre ele, mas falarei sim, sobre o livro e o filme, mais sobre esse último.
Fui com medo, ansiedade e um desejo enorme de ver nas telonas as imagens, ou partes das imagens, que vi ao ler o delicioso tomo de Saramago, chegamos, minha esposa e eu, em cima da hora, além de ter os problemas corriqueiros na bilheteria, pois não aceitaram minha carteirinha da pós (sem data, disseram), compramos a pipoca e o refrigerante, e corremos para a sala (sala 06), sentamos no meio, onde poderíamos ter uma panorâmica relativamente boa, eu estava tenso e nervoso, partes por problemas íntimos e partes pelo filme, afinal estamos falando de Meirelles e Saramago.
Sinestesia total.
Ouvimos o som do trafego, passos... vimos o disco ficar vermelho, depois verde, depois vermelho e voltar ao verde novamente e a tão esperada frase veio:
- Estou sego!
Claro em discurso direto, jamais levariam o efeito Saramago ao cinema, impossível. Ele estava cego, meu Deus eu pensei, passarei por isso de novo, não acredito... mas de fato ele estava cego, assim como ficou o ladrão, o médico oftalmologista, a rapariga dos óculos escuros, o velho da tarja preta, o garotinho estrábico, o ladrão e a mulher do primeiro cego, menos é claro a mulher do médico, meu Deus... todos ficaram cegos... abriram-se os portões do sanatório, “quarentena” ouvimos um homem na TV dizer, eu via as linhas escritas em preto sobre o branco poroso do livro saírem e chicotearem as luzes emitidas pela enorme tela do cinema, Deus... que agonia...
Preciso dizer... o filme é fiel... fiel ao livro, fiel ao público, fiel por ser obra de Meirelles, fiel e respeitoso ao livro, sagrado, do Mestre José Saramago. E quem disser que não é... ou não entendeu a magnitude do livro, ou a poesia das lentes de Meirelles, quem sabe os dois.
O filme todo mexeu demais comigo, lembrei de quando lia o livro, sei lá... inacreditável, vi o sanatório em chamas, vi os homens estuprarem, urrando como animais que haviam se tornado, vi serem mortos do fio amolado da tesoura à chama ardente do fogo dos colchões. Mas, não chorei pela dor da mulher, não chorei pelo que estava vendo, chorei por ver que é passível de se acontecer, em qualquer parte, em qualquer lugar, a qualquer momento... Deus... ficaríamos cegos e viveríamos, por um tempo indeterminado, como animais, voltaríamos aos mais primitivos instintos, farejaríamos a comida, que poderíamos matar um pai, uma mãe, um filho pelos víveres que estivesse em suas mãos, que beberíamos a água rala e infectada da sarjeta, e que transaríamos como cães para saciarmos nossos desejos escurecidos.
Chorei ao ver a chuva atingir os corpos sujos e denegridos, chorei ao ver o desespero daquela que podia ver a dor do mundo, a infecção do dedo do diabo, chorei quando os santos dispostos na nave da igreja estavam vendados... e chorei ao ver um grupo de crianças caminharem feito mortos-vivos pelas ruas imundas e mortas como elas.
Duas horas de profunda reflexão...
Lá estava eu... estático, cego e anuviado por carinho, dor, e lágrima, as letras subiam e a magia do cinema ainda imperava sobre mim, a sala ficou mais clara, não clara como o mar de leite, mas o suficiente para me lembrar que estava vivo e na vida real... o suficiente para me revelar que tenho de viver melhor, e saber olhar as pessoas como se fosse cego.

Notas de rodapé disse...

oi, fernando.. cegueira eh uma metafora pra um monte de coisas.. quer falar sobre isso em um proximo filme? nam_the_girl@hotmail.com. abraço.

squeff disse...

O “Ensaio sobre a Cegueira”
e o que a crítica não quis ver.

Deve ser por uma espécie de obliteração visual – ou intelectual - quem sabe, que a crítica brasileira não se rendeu ao filme “Ensaio sobre a Cegueira”, do brasileiro Fernando Meirelles, baseado no romance homônimo do português José Saramago. O maestro Wilhelm Furtawaengler , na década de 30 do século XX, afirmava que a crítica nunca ia além do público, por ser em grande parte apenas e tão somente parte dele, ou mais que tudo, o seu espelho. Com efeito, Franz Kafka, com seus “O Processo” e “Metamorfose” só foi reconhecido quando alguns intelectuais se deram conta de que havia tudo de surreal, de “kafkiano” digamos, na vida cotidiana das cidades com suas regras irracionais, o esmagamento da individualidade e a falta de sentido no que a sociedade contemporânea elevou como dogma. Para dizer o óbvio em se tratando também de Kafka: as baratas tontas não se sabem à disposição do pé que pode triturá-las. São poucos, enfim, os que prevêem em qualquer ensaio sobre a cegueira um dos grandes diagnósticos, ou antes, a metáfora que, afinal, tornaria transparente a nossa relação com o mundo aparentemente luminoso da informação, e que seria o melhor do nosso século. Não espanta que a cegueira intelectual tenha muitos adeptos, mesmo entre banqueiros, como se está vendo. E que qualquer reflexão a respeito cause um pânico que normalmente convida à rejeição da sua existência como uma ameaça constante a nossas convicções.
Cegueira ou escapismo? Em determinados momentos as coisas parecem se confundir.
Na pintura “A parábola dos Cegos”, de Pieter Brueghel, o Velho (1520/30-1569), a cegueira é um preâmbulo da queda, de qualquer queda. Concebida por um artista que sempre se valeu das alegrorias, o cego que conduz os outros(como a confirmar o Evangelho), é o primeiro da fila a se estatelar: uma viola caída entre as suas pernas, é o único testemunho, algo patético, da sua atividade de músico. Fica a certeza de que a acuidade que lhe resta é a auditiva– um indício de que, afinal, nem tudo está perdido. Não por acaso, é essa também uma das características do filme de Meirelles – a cegueira branca que acomete as pessoas ( “toda a cegueira é branca” dizia o cego Jorge Luiz Borges), passa a ser compensada, em parte, pelos sons: o ouvido como compensação à visão. Ao contrário, porém, da tradição que canta os poetas cegos – o primeiro deles, Homero, teria como apanágio da sua introspecção, justamente a cegueira – no filme de Meirelles uma das poucas alternativas à sobrevivência do cego, não é só falar – é escutar. A questão, contudo, pode se definir numa outra consideração -e que consta do livro de Saramago: cabe ao não cego, ao vidente no sentido inclusive do visionário, do utópico, do que prediz o futuro, conduzir ao ordenamento do mundo. E não por acaso, certamente, o “rei” da terra dos cegos – aquele que, no fim das contas, tem olhos para ver (ainda que possa ser “caolho”, como no ditado popular, o que não é o caso) - só persiste como tal, não apenas por ter olhos, por estar na pele de uma mulher. Claro que se trata da solução de um cineasta que se cingiu aos contornos do romance, a uma reflexão que foi fiel a Saramago. Tanto no filme, quanto no romance, a mulher aparece como única solução viável ao mundo do caos. Talvez seja essa a contrariedade que o filme suscita: supõe-se que à falta de um macho, o protótipo do xerife, do super-herói americano a dar “porradas” e, na outra ponta, a lavar as sujeiras fisiológicas dos homens – tarefa a que as mulheres se dedicam já no trato com os nenéns – muitos críticos, ao que parece, fizeram eco aos norte-americanos. Não gostaram e pronto. É compreensível.
Num país, ideologicamente convencido, como nos Estados Unidos, de que, no cinema para as massas, as mulheres devem se travestir, têm de assumir os punhos poderosos, os ponta-pés especializados nas lutas orientais e em lutas em que as espadas mortíferas são brandidas como as dos samurais – que são sempre as armas dos homens, dos mais fortes fisicamente – vale muito pouco que o mundo feminino seja, no fundo, o vencedor. Afirmar, por aí, que a crítica brasileira imitou os norte-americanos pura e simplesmente, talvez seja apenas uma ilação apressada. Os especialistas têm sempre as boas razões que escapam aos leigos. A cegueira, porém, como sugerem o filme e o livro, é uma doença que se dá numa grande cidade – justamente em São Paulo. E isso parece não ter sido igualmente relevado.
Talvez seja esse o outro lado da questão. As filmagens externas se passam todas numa paulicéia facilmente reconhecível, até mesmo por quem não mora na cidade. As próprias cenas em que os cegos são submetidos à quarentena – uma espécie de hospício - não sugerem menos do que o inferno do Carandiru. E como vivemos no contraste do Brasil, há também os grandes apartamentos, as casas confortáveis que dão para aquela paisagem exuberante, mais que prazerosa dos arvoredos da região dos Jardins, vistos do alto. E há, finalmente, muito também do seu oposto, daquilo que somos na periferia, o que sugere o “panorama visto da ponte”, para recorrer ao título da famosa peça de Arthur Miller. Entre a pujança do horizonte aprazível de São Paulo, ou a degradação do Tietê, com suas águas estagnadas e as margens infectas e que confluem com as ferrovias da periferia, há o lugar para algumas cenas dantescas, coisas de cenaristas. Como constatava Mozart com sua incrível invenção que, inclusive, lhe provocava lágrimas quando escutava suas próprias composições, para um paulistano, a metamorfose a que o filme submete a cidade de São Paulo, deve arrepiar no sentido contrário ao prazer do compositor com a sua música: resta a interrogação angustiante, isto é, se não podemos chegar às ruínas que o filme mostra. Neste ponto, talvez não seja arriscada levantar a hipótese de que foi esse o outro problema para a crítica: é preferível, naturalmente, considerar a Gotan City do filme Batman, julgada pela mesma crítica muito melhor do que o filme brasileiro ( pelo menos é o que dizem as estrelinhas das cotações dos jornais), à alternativa requerível à cidade “dos cegos”(São Paulo) idealizada pelo cineasta. E que nos assusta, exatamente por a reconhecermos, não na sua ruína construída, deformada, que só o cinema pode engendrar – mas na sua degradação possível, previsível que só o pessimismo leva em conta.
Ao término da leitura de um de seus romances, Dostoievsky teve de acariciar as mãos de sua companheira, a guiza de consolo; ao lê-lo, ela mergulhou numa tal tristeza que foi difícil demovê-la de que o mundo, quem sabe, pudesse talvez ser menos trágico do que as invenções de um escritor. Quando escreveu algumas de suas sonatas, Beethoven não previu que certas pessoas iriam se desmanchar no choro: disse que compunha não para que as pessoas se derramassem em lágrimas, mas para que refletissem. Estima-se que nunca foi a intenção de José Saramago, ou de Fernando Meirelles sugerirem menos do que uma parábola. Nenhum dos dois deve ter se demorado na perspectiva que preside a idéia primitiva de que a cegueira pode ser, por exemplo, o tal atributo dos poetas. Homero cego, certamente justificava os seus poemas como conseqüência dos que se vêem mergulhados em sua própria interioridade. Inimaginável esse tipo de consideração nem em Saramago, muito menos em Brueghel, ou no cineasta brasileiro. Vem daí, porém, que a cegueira, como perda da capacidade de surpreender a evidência - que, por sua vez, tem a respaldá-la justamente o “ver”, o de conter em si a transparência, e que nasce do latim “videre” - passa a ser exatamente o contrário do que se imagina a grande contribuição da crítica.
O paradoxo, em suma, afigura-se todo esse: o filme “Ensaio sobre a Cegueira” deixa em aberto que, de fato, quase simploriamente, o maior cego é aquele que se recusa a ver. A pergunta que fica no ar, porém, é aquela que não fazemos: talvez não estejamos vendo pelas razões que a própria cegueira nos dá – de não termos como evidente de que estamos cegos. Fica, mesmo assim, a convicção de que São Paulo pode estimular esse tipo de raciocínio - que é a forma de não raciocinar, ou de se recusar a fazê-lo.
Na fita, a grande cidade se mostra pela ótica do que, contrariamente, talvez seja o que podemos denominar de “poética do horror”: nada de Batmans a cruzar os céus artificiais de uma cidade brumosa que assusta de mentirinha, por ser o ambiente de um “homem morcego”; ou de Super-Homens a salvar, no último momento, o próprio mundo. Quando as cidades mergulham no sem sentido de bolsas de valores, a se esfarinharem na predação do consumismo, ou a se diluírem sob bombas – não há mesmo esperança possível. Não há super-heróis que lhes valham. A não ser naquele que vê através do mundo escondido no branco, que tapa a vista à evidência. Explica-se, porém, desta forma, que o filme Batman seja considerado a grande realização cinematográfica para os grandes jornais: eles nos conformam, sabe-se lá, à cegueira circundante. Haveria, talvez, que falar sobre esse ir e vir do que é o filme de Meirelles: ele se propõe a discutir a cegueira, um tema que a cegueira espiritual teima em não fazê-lo.
Mas é apenas uma das especulações possíveis.
Em tempo: José Saramago viu o filme e confessou-se emocionado com a adaptação de Fernando Meirelles. Difícil dizer se a crítica cinematográfica de São Paulo ou do Brasil leu o livro de José Saramago. Quem o fez – embora essa não seja em momento algum uma exigência - muito dificilmente desqualifica o filme. No mais, noticia-se que uma associação de cegos americanas achou o filme “preconceituoso”. Talvez se possa falar de uma possível, mas até aqui inédita cegueira dupla.

Enio Squeff
enio@squeff.com
www.squeff.com
Outubro 2008

Meggie disse...

Ehehe... Fiquei até com medo de escrever e você perceber que sim, tem gente que lê seu blog ainda... Tudo bem... não vou espalhar. Fica cá entre as cento e poucas pessoas que estão deixando recados...
Abraço.

Alexandre disse...

Se este e realmente o blog do diretor Fernando Meirelles,uma sugestão:acabei de ler o livro

NOS BASTIDORES DO REINO,um livro escrito por um ex-integrante(bispo)
da universal do reino de deus.

a historia de cidade de deus e conto da carochinha perto deste relato.

leia este livro(se não tibver,eu envio)

O nome poderia ser auterado para:Nos bastidores da fé.

Com certaza ia ser o filme mais polemico de sua carreira,e mostraria a verdade por traz dos meios religiosos (e mais podre que o [poderoso chefão).

e digo tambem que seria um enorme serviço a esta nação.

Alexandre disse...

o nome do autor é Mario Justino

David Nascimento disse...

Fernando, três coisas:
Em agosto devo começar meu mestrado, um dos objetos de estudo será seu filme "Cidade de Deus". Seu filme "Ensaio sobre a cegueira" realmente ficou muito bom, acho que para elevar qualquer diretor e diretor de fotografia, as imagens são verdadeiras poesias (ângulos de câmera e objetos, as câmeras embaçadas... gostei muito!) e, por fim, a mine-série que estreou essa semana na Globo arrasou, há muito tempo não vejo algo de qualidade naquele canal.
abraço e parabéns! Ah, mais uma coisa, será que se for preciso (para o mestrado) rolaria trocar umas idéias?
Abraço.

cy disse...

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Sr. Fernando gostaria muito de ter o seu contato, tenho idéia para um filme q fará muito sucesso.Abraço

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greycelle disse...

Boa tarde!

Caro sr. Fernando sou seu fã adorei alguns filmes seus e vendo como grande diretor q é.

Gostaria de expor uma ideia de um filme a respeito de musicas do Legião Urbana não sei ja lhe passoupela cabeça.

Se o sr. querer saber mais sobre minha ideia deste filme me mande um email greycellezamboti@yahoo.com.br

Daniel Sama disse...

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entra ae galera por favor!

Fã da Dul disse...

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